Charise projeta mais de 65% para a direita em Lagoa Vermelha e revela estratégia própria na disputa por deputados

Reportagem | Foto: Marcos Roberto Nepomuceno

Em entrevista à NG Revista, vereadora do Progressistas demonstrou confiança na chapa Zucco e Silvana Covatti, explicou por que decidiu apoiar Guilherme Rech Pasin e Any Ortiz e defendeu ampliar o número de parlamentares ligados ao município

A vereadora Charise Bresolin (PP) apresentou uma leitura direta do cenário eleitoral de 2026 em Lagoa Vermelha durante entrevista concedida à NG Revista nesta quarta-feira, 16 de setembro. Entre projeções sobre a força da direita, críticas ao atual sistema de emendas parlamentares e a explicação de seus próprios apoios para deputado estadual e federal, Charise deixou claro que pretende seguir uma estratégia política diferente da adotada por outras lideranças do Progressistas no município.

Eleita vereadora pelo PP em 2024 com 610 votos, Charise integra uma bancada de quatro parlamentares do partido na Câmara Municipal.

O ponto de maior impacto da entrevista surgiu logo no início. Ao analisar a campanha de Luciano Zucco (PL), que disputa o Governo do Estado tendo Silvana Covatti (PP) como candidata a vice, Charise afirmou acreditar que Lagoa Vermelha poderá entregar uma votação superior a 65% aos candidatos identificados com a direita. A chapa Zucco–Silvana foi oficializada pelas convenções partidárias para a eleição de 2026.

“Na minha visão, Lagoa Vermelha vai dar mais de 65% de direita”, declarou.

O percentual citado pela vereadora foi apresentado como uma percepção política pessoal, e não como resultado de pesquisa eleitoral.

Charise também demonstrou elevada confiança na candidatura de Zucco. Mesmo admitindo a possibilidade de a eleição estadual avançar para um segundo turno, fez uma previsão categórica durante a conversa: “O Zucco vai ser o governador do Rio Grande do Sul. Pode anotar isso aí”.

A afirmação representa a expectativa eleitoral da vereadora, não uma projeção da NG Revista sobre o resultado da eleição.

NÃO COMPRA A TESE DE “FRACASSO DA ESQUERDA”

Apesar da posição claramente identificada com a direita, Charise surpreendeu ao não concordar integralmente quando questionada sobre um eventual “fracasso da esquerda” em Lagoa Vermelha.

“Eu não diria fracasso”, respondeu.

Segundo ela, o campo de esquerda possui representação política no município e mantém capacidade de buscar recursos e emendas. A partir daí, entretanto, Charise fez críticas duras à atual lógica de distribuição de recursos federais e afirmou que emendas vinculadas ao seu campo político teriam sido represadas enquanto outras ligadas ao PT teriam sido liberadas.

Durante a entrevista, não foram apresentados documentos que permitissem confirmar especificamente essa alegação.

A vereadora foi além e questionou o próprio modelo de emendas parlamentares.

“Eu também não sou a favor de emenda. Acho que deveria ter uma outra regra, uma outra maneira de esse dinheiro chegar aos municípios sem ter que passar pelos deputados, vereadores e prefeitos”, afirmou.

Para Charise, o modelo atual transforma a liberação de recursos também em instrumento de construção de relações políticas entre parlamentares e municípios. Na sua avaliação, o país precisaria avançar para uma reforma política capaz de modificar essa lógica.

CHARISE FAZ CAMINHO DIFERENTE NA DISPUTA PROPORCIONAL

Outro ponto central da entrevista foi a decisão de Charise de não concentrar seu trabalho eleitoral nos mesmos candidatos apoiados por outras lideranças do Progressistas de Lagoa Vermelha.

Para deputado estadual, a vereadora apoia Guilherme Rech Pasin, candidato do PP à Assembleia Legislativa. A candidatura de Pasin está registrada para a eleição de 2026.

Para deputada federal, a escolha é Any Ortiz, atual deputada federal e integrante do Progressistas. A Câmara dos Deputados registra Any Machado Ortiz como parlamentar do PP pelo Rio Grande do Sul.

Charise explicou que a decisão não representa rompimento com a família Covatti. Pelo contrário: reconheceu publicamente a presença política do grupo em Lagoa Vermelha e afirmou ter realizado um levantamento segundo o qual mais de R$ 5 milhões teriam sido destinados ao município por integrantes da família. Esse valor foi citado pela vereadora durante a entrevista e não foi auditado pela NG Revista para esta publicação.

O raciocínio de Charise é outro: se o município possui quatro vereadores do PP, todos trabalhando com os mesmos parlamentares, a capacidade de estabelecer novos canais para a obtenção de recursos ficaria limitada.

“Não tem por que ter quatro vereadores pedindo para um deputado só verba”, argumentou.

Segundo ela, sua decisão de trabalhar por Pasin e Any Ortiz busca justamente estabelecer novas relações políticas que possam resultar em futuras emendas e investimentos para Lagoa Vermelha.

“Eu sou a única que estou pleiteando emendas e recursos de outros candidatos para somar com o que já vem com os Covatti”, afirmou.

A vereadora chegou a defender uma divisão mais equilibrada dos apoios dentro do próprio grupo político, com parte das lideranças permanecendo junto aos Covatti e outras buscando aproximação com diferentes parlamentares.

“Eu penso em conseguir mais emendas com outros deputados, porque senão tu fica sempre nos mesmos”, resumiu.

SANTINI: “JAMAIS TIRAR VOTO DELE”

A entrevista também abordou uma particularidade da eleição em Lagoa Vermelha: a presença de Ronaldo Santini, candidato a deputado estadual pelo Podemos e político com ligação direta com o município. O registro de Santini para a Assembleia Legislativa consta como deferido para a eleição de 2026.

Questionada sobre como conciliar a importância de uma candidatura local com seu compromisso partidário, Charise disse considerar natural trabalhar pelos nomes do Progressistas, mas estabeleceu um limite.

“Se eu chego em um lugar, eu já pergunto: ‘Já tem candidato a estadual e federal?’. Se a pessoa diz que já tem, tranquilo”, afirmou.

Sobre Santini, foi ainda mais direta.

“Eu acho que seria até chato a gente querer tirar um voto de uma pessoa que é aqui da Lagoa.”

Charise avaliou que a atuação política de Santini em outras regiões poderá lhe proporcionar votação fora de Lagoa Vermelha e afirmou acreditar que ele terá desempenho expressivo.

Ao mesmo tempo, reiterou que seu compromisso eleitoral está dentro do PP.

“Eu sendo do Progressistas preciso fazer a campanha dentro do meu partido, mas jamais tirar voto dele, que é daqui de Lagoa Vermelha.”

OBRAS, PREFEITURA E CAMPANHA

Charise também avaliou o papel que a administração municipal poderá desempenhar no ambiente político das eleições.

Na visão da vereadora, a melhor contribuição do prefeito Eloir Morona é apresentar à população aquilo que está sendo executado no município. Ela mencionou pavimentações, obras de infraestrutura e intervenções para enfrentar antigos problemas de alagamento como exemplos de ações que poderão ser apresentadas à comunidade.

Para Charise, a resposta política deve ocorrer por meio da entrega de resultados.

“São problemas que em toda cidade existem, mas a gente precisa também das soluções”, afirmou.

RETA FINAL DEVE MUDAR O RITMO

Apesar da movimentação das lideranças, Charise disse ter esperado uma campanha mais intensa até este momento.

“Eu achei que ia ferver”, relatou.

Segundo ela, o cenário observado nas ruas ainda é relativamente tranquilo, inclusive na convivência entre militantes de diferentes candidaturas. Charise afirmou encontrar materiais de outros candidatos durante suas visitas e disse considerar esse respeito parte natural do processo democrático.

A expectativa, porém, é de mudança rápida no ritmo da campanha.

A vereadora acredita que os últimos dias antes da votação deverão trazer maior presença de cabos eleitorais, distribuição de materiais e adesivos nos veículos. Seu grupo, inclusive, avalia promover uma mobilização para adesivar carros.

Mais do que simplesmente reafirmar apoios, a entrevista mostrou a estratégia política que Charise pretende construir: forte identificação com a chapa de Zucco e Silvana Covatti para o governo, fidelidade ao Progressistas na disputa proporcional, mas independência para escolher os candidatos que considera capazes de ampliar a representação e a chegada de recursos a Lagoa Vermelha.

E foi justamente nesse ponto que sua fala mais se diferenciou: para Charise, não basta eleger aliados. É preciso aumentar o número de portas às quais Lagoa Vermelha poderá bater depois que a eleição terminar.

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