Reportagem | Foto: Marcos Roberto Nepomuceno
Vice-prefeito destacou que os Festejos Farroupilhas precisam ir além dos símbolos e reforçou a importância de compreender e transmitir às novas gerações a história que sustenta a tradição do Rio Grande do Sul
O vice-prefeito de Lagoa Vermelha, Alessandro Muliterno, foi um dos participantes do 2º Café Campeiro da EMEB Clóvis Pestana, realizado na manhã desta quinta-feira, 17 de setembro. Em sua manifestação, ele fez uma reflexão sobre o significado da Semana Farroupilha e defendeu que a preservação da cultura gaúcha deve estar diretamente ligada ao conhecimento da história.
Muliterno iniciou sua fala elogiando o trabalho realizado pela direção, professores, funcionários e alunos da escola. Para ele, a ambientação e as atividades desenvolvidas mostraram que a Semana Farroupilha pode ser utilizada como instrumento de educação cultural.
Ao comentar a programação, o vice-prefeito afirmou que o significado dos festejos ultrapassa os dias tradicionalmente reservados às comemorações de setembro.
“Vai muito mais além do que uma Semana Farroupilha”, destacou, chegando a sugerir, em tom descontraído, que deveriam existir “anos farroupilhas”, tamanha a importância de manter o tema presente ao longo do tempo.
MAIS DO QUE VESTIR A PILCHA
Na sequência, Alessandro Muliterno provocou uma reflexão sobre os símbolos utilizados durante os festejos.
Questionou o significado dos lenços, da indumentária e das manifestações que são repetidas de geração em geração, defendendo que o tradicionalismo ganha ainda mais força quando as pessoas compreendem a origem desses costumes.
Em sua manifestação, fez referências a diferentes momentos da história do Rio Grande do Sul, passando pela Revolução Federalista e por acontecimentos relacionados à Revolução Farroupilha.
O objetivo, segundo sua fala, foi demonstrar que os símbolos presentes atualmente nas comemorações carregam consigo acontecimentos, conflitos e personagens que precisam ser conhecidos.
Para Muliterno, existe o risco de uma tradição perder parte de seu significado quando permanece apenas na reprodução estética, sem que as novas gerações tenham contato com a história que a originou.
HISTÓRIA NÃO PODE SER ESQUECIDA
O vice-prefeito citou acontecimentos como o episódio de Porongos e a Batalha do Seival para exemplificar fatos que integram a construção histórica do Rio Grande do Sul.
Sua preocupação, conforme destacou, é que determinados episódios deixem gradualmente de ser conhecidos caso não exista um trabalho permanente de transmissão de conhecimento.
Nesse sentido, Muliterno valorizou especialmente o envolvimento das escolas.
Para ele, iniciativas como o Café Campeiro representam oportunidades para que as crianças não apenas participem das comemorações, mas comecem a compreender por que determinadas tradições permanecem vivas.
“A direção e a escola merecem muitos parabéns por estarem valorizando, e a Secretaria também merece os parabéns por abrir esse espaço para que tragam a cultura gaúcha”, afirmou.
RECONHECIMENTO AOS HOMENAGEADOS
Alessandro Muliterno também dedicou parte de sua manifestação aos homenageados da Semana Farroupilha, Hil Cunha e Clacir Bonatto.
Segundo ele, o reconhecimento ocorreu justamente porque ambos mantêm participação constante nas entidades e nas atividades ligadas ao tradicionalismo.
O vice-prefeito citou o envolvimento com CTGs, ações campeiras, cavalgadas e iniciativas relacionadas à Chama Crioula como exemplos de dedicação que contribuem para manter a cultura presente no cotidiano da comunidade.
Muliterno afirmou que, mesmo que os próprios homenageados possam questionar se merecem ou não a distinção, a participação voluntária e permanente nas entidades justifica o reconhecimento recebido.
“A NOSSA BATALHA É DIÁRIA”
Na parte final de sua manifestação, o vice-prefeito fez referência ao Tratado de Poncho Verde, que marcou o encerramento da Revolução Farroupilha, para construir uma comparação com os desafios atuais de preservação cultural.
Segundo Muliterno, mesmo com o encerramento daquele período histórico, a tarefa de manter viva a identidade gaúcha continua diariamente.
“A nossa batalha é diária para que a cultura não morra”, afirmou.
A mensagem esteve diretamente ligada à proposta do encontro realizado pela EMEB Clóvis Pestana: utilizar o ambiente escolar como espaço de transmissão cultural.
Ao finalizar, Alessandro Muliterno parabenizou novamente a comunidade escolar e os tradicionalistas presentes, destacando que cada iniciativa realizada no presente também representa uma nova página na história que será transmitida às próximas gerações.





