Canola avança mais de 300% na região de Passo Fundo e ganha espaço nas lavouras de inverno

Área cultivada saltou de cerca de 6 mil para 35 mil hectares em um ano; custos menores, clima e mercado ajudam a explicar a expansão

Quem percorre as estradas da região de Passo Fundo neste período percebe uma mudança cada vez mais visível na paisagem. O amarelo das lavouras de canola passou a ocupar áreas maiores e confirma o avanço da cultura entre as opções de inverno no Norte do Rio Grande do Sul.

Segundo dados da Emater, a área cultivada com canola na região passou de aproximadamente 6 mil hectares em 2025 para cerca de 35 mil hectares em 2026. O crescimento é superior a 300% e reforça a cultura como alternativa importante ao trigo.

CUSTO E RENTABILIDADE PESAM NA ESCOLHA

Para o professor do curso de Agronomia da Universidade de Passo Fundo (UPF), Samuel Kovaleski, a expansão da canola resulta da combinação de fatores econômicos, climáticos e de mercado.

Tradicionalmente, o trigo ocupa boa parte das áreas de inverno na região, mas os custos elevados de produção e os preços menos atrativos têm levado produtores a diversificar.

Segundo o professor, o custo de produção do trigo pode superar 40 sacas por hectare, enquanto a produtividade média fica entre 45 e 50 sacas. Já na canola, a estimativa de custo varia entre 15 e 20 sacas por hectare, com produtividade esperada entre 30 e 35 sacas.

Essa diferença tem aumentado o interesse pela oleaginosa e estimulado a inclusão da cultura no planejamento das propriedades.

CLIMA TAMBÉM INFLUENCIA

As condições climáticas são outro componente importante.

Conforme Samuel Kovaleski, cenários de chuvas intensas e frequentes podem comprometer o desempenho do trigo e aumentar os riscos da cultura. Nesse contexto, a canola passa a ser considerada por parte dos produtores como alternativa dentro do sistema produtivo.

Outro fator citado é a maior segurança de comercialização. Algumas indústrias oferecem assistência técnica e contratos futuros de compra, reduzindo incertezas na venda da produção.

Ao mesmo tempo, a crescente demanda por fontes de energia renovável amplia o interesse por matérias-primas utilizadas na produção de biocombustíveis.

CANOLA COMPLEMENTA, MAS NÃO SUBSTITUI O TRIGO

Apesar da forte expansão, a tendência não é de desaparecimento do trigo.

A perspectiva é de que a canola assuma papel cada vez mais relevante na rotação de culturas, alternando-se com trigo, milho e outras espécies.

Além da diversificação econômica, a rotação também pode trazer benefícios agronômicos. A canola contribui para interromper ciclos de doenças e pode auxiliar no controle de plantas daninhas, fortalecendo o sistema de produção como um todo.

TECNOLOGIA AJUDA A AVALIAR QUALIDADE

Com o crescimento da área cultivada, também aumenta a necessidade de informações técnicas sobre a qualidade dos grãos.

Por meio da UPF Multi, a Universidade de Passo Fundo disponibiliza tecnologia para análises voltadas aos setores agrícola, industrial e de pesquisa.

Segundo a encarregada da UPF Multi, Cristini Milech, a tecnologia NIR permite avaliar rapidamente parâmetros como umidade, proteína, matéria mineral, gordura e fibra.

As análises podem acompanhar os lotes desde a colheita e o recebimento até o armazenamento e a comercialização.

Cristini destaca que conhecer a composição do grão é fundamental diante das diferentes possibilidades de utilização da canola, tanto na produção de óleo quanto no aproveitamento da fração proteica.

Os serviços da UPF Multi atendem produtores rurais, cooperativas, cerealistas, armazenadores e indústrias esmagadoras.

Foto: Camila Guedes

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