Museu do Carvão recupera mais de 1,4 mil fotografias atingidas pelas enchentes de 2024

O Museu Estadual do Carvão, localizado em Arroio dos Ratos e considerado um dos principais símbolos da memória da região Carbonífera do Rio Grande do Sul, celebrou uma importante conquista na preservação do patrimônio histórico gaúcho. Após dois anos de trabalho especializado, cerca de 1.400 fotografias atingidas pelas enchentes de maio de 2024 foram restauradas, conservadas e digitalizadas.

A instituição, vinculada à Secretaria Estadual da Cultura (Sedac), teve parte significativa de seu acervo submersa durante a enchente histórica que atingiu o Estado. Milhares de documentos e fotografias ficaram cobertos pela água e pela lama, exigindo uma força-tarefa envolvendo técnicos da secretaria e voluntários para resgatar o material.

O trabalho de recuperação foi realizado pela empresa Âmbar Cultural, do Rio de Janeiro, especializada em conservação de acervos históricos. O investimento foi de R$ 273 mil, com recursos do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs).

Segundo o secretário estadual da Cultura, André Kryszczun, a restauração representa um importante exemplo de preservação da memória coletiva diante dos desafios impostos pelos eventos climáticos extremos.

Trabalho minucioso para salvar a história

As fotografias passaram por um processo complexo e delicado de recuperação. Inicialmente, foi necessário identificar os danos provocados pela água e pela lama em cada imagem. Muitas delas apresentavam contaminação por microrganismos, rasgos, dobras e deterioração causada pela umidade.

Para eliminar fungos e bactérias, o acervo foi encaminhado ao Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN), em São Paulo, onde passou por tratamento com radiação ionizante. Posteriormente, as fotografias foram levadas para um laboratório especializado no Rio de Janeiro, onde receberam limpeza, restauração e conservação.

O trabalho foi ainda mais delicado em imagens produzidas entre o final do século XIX e o início do século XX, confeccionadas com técnicas antigas que são altamente sensíveis à umidade.

Memória da região Carbonífera preservada

O acervo reúne registros históricos da atividade carbonífera no Estado, além de fotografias que retratam o cotidiano das famílias da região, trabalhadores, escolas, eventos culturais e momentos marcantes da história local.

De acordo com as especialistas responsáveis pela restauração, o material possui enorme valor histórico e social, pois documenta gerações de moradores ligados à mineração do carvão e à formação das comunidades da região.

Além da recuperação física, todas as imagens foram digitalizadas em alta resolução. Em breve, o conteúdo estará disponível ao público por meio da plataforma Acervos da Cultura, ampliando o acesso à memória preservada.

Legado para as futuras gerações

O projeto também serviu como referência para futuras ações de proteção ao patrimônio cultural diante dos impactos das mudanças climáticas. Especialistas destacaram que eventos extremos vêm se tornando cada vez mais frequentes, exigindo novas estratégias de preservação dos acervos históricos.

Com a recuperação das fotografias, o Museu Estadual do Carvão garante que parte importante da história da região Carbonífera e do Rio Grande do Sul permaneça preservada e acessível às futuras gerações.

Fonte: Secretaria da Cultura do Rio Grande do Sul (Sedac).

Facebook
Twitter
WhatsApp
Posts Recomendados