Reportagem | Foto: Marcos Roberto Nepomuceno
Encontro realizado na sede da OAB reuniu Judiciário, Executivo, tradicionalistas e comunidade em uma manhã marcada pela valorização da cultura gaúcha
Tradição, convivência e integração marcaram a manhã desta sexta-feira, 18 de setembro, em Lagoa Vermelha. A sede da OAB Subseção Lagoa Vermelha recebeu um Café Campeiro que reuniu representantes de diferentes instituições, lideranças tradicionalistas e integrantes da comunidade em mais uma atividade da programação da Semana Farroupilha 2026.
A iniciativa envolveu a OAB, o Poder Judiciário e o Grupo Folclórico Bombacha Preta, transformando o espaço da advocacia em um ambiente de celebração da identidade gaúcha e, ao mesmo tempo, de aproximação entre instituições que possuem forte presença na vida da comunidade.
O encontro contou com a participação do prefeito Eloir Morona; do vice-prefeito Alessandro Muliterno; do presidente da OAB Subseção Lagoa Vermelha, Aldemar Ottone Iglesias Braghirolli; do diretor do Foro da Comarca, juiz Gleisson Sartori; do presidente da Comissão da Semana Farroupilha, Alvício José Teles; do patrão do Grupo Folclórico Bombacha Preta, Argeu José Rodrigues; e do homenageado dos festejos, Hil Josino Cunha.
Também participaram representantes da Brigada Militar, Corpo de Bombeiros, Poder Judiciário, entidades tradicionalistas, advocacia, servidores públicos, lideranças locais e convidados.
UMA MANHÃ DE INTEGRAÇÃO
A abertura do encontro destacou justamente o significado de sentar ao redor da mesa e compartilhar não apenas alimentos, mas também histórias, experiências e vínculos.
O Café Campeiro foi apresentado como um momento para lembrar que instituições são formadas por pessoas e que a proximidade com a sociedade também se constrói em ambientes de convivência.
Esse sentimento apareceu nas manifestações realizadas ao longo da programação.
O homenageado da Semana Farroupilha, Hil Josino Cunha, agradeceu pela distinção e lembrou sua relação com a OAB em diferentes momentos, inclusive em atividades nas quais colaborou com a entidade.
Já o presidente da Comissão da Semana Farroupilha, Alvício José Teles, direcionou sua fala especialmente às novas gerações.
Ele destacou o trabalho realizado neste ano em escolas e atividades envolvendo crianças, defendendo que o futuro do tradicionalismo depende da capacidade de transmitir conhecimento, costumes e valores.
“O gaúcho se forma desde o berço”, afirmou.
Alvício lembrou ainda que aproximadamente mil crianças participaram de ações realizadas em um dos espaços da programação, além das atividades desenvolvidas em escolas e outros locais de Lagoa Vermelha.
JUDICIÁRIO PRÓXIMO DA COMUNIDADE
O juiz Gleisson Sartori, diretor do Foro da Comarca de Lagoa Vermelha, destacou o sentimento de acolhimento que encontrou no município e valorizou a parceria entre o Poder Judiciário e a OAB.
Segundo ele, encontros dessa natureza permitem uma aproximação que vai além da rotina institucional.
Sartori ressaltou que o Judiciário está permanentemente à disposição da população e que a atuação no interior do Estado também possibilita conhecer de forma mais próxima os valores e as características de cada comunidade.
O magistrado destacou ainda o respeito às tradições e ao orgulho de ser gaúcho como elementos presentes nessa convivência.
RESGATAR PARA PRESERVAR
O prefeito Eloir Morona concentrou sua manifestação na importância do resgate.
Segundo ele, muitas das tradições que hoje parecem fazer parte naturalmente da vida dos gaúchos só permaneceram vivas porque, em algum momento, pessoas se mobilizaram para preservá-las.
Morona citou as danças tradicionais, o tiro de laço e outras manifestações culturais como exemplos desse processo.
O prefeito também ampliou o conceito de resgate para valores familiares, convivência e educação.
“Precisamos resgatar os valores do passado. Precisamos resgatar os valores familiares. Precisamos resgatar a convivência em família”, afirmou.
A partir dessa reflexão, relacionou o momento cultural de Lagoa Vermelha à retomada de eventos tradicionais, entre eles a ExpoLagoa e a Lagoa da Canção Nativista.
OAB E CIDADANIA
O presidente da OAB Subseção Lagoa Vermelha, Aldemar Ottone Iglesias Braghirolli, reforçou o papel da entidade na aproximação com a comunidade.
Para ele, participar das atividades da Semana Farroupilha representa também reconhecer que a advocacia e o sistema de Justiça estão inseridos na sociedade e compartilham de sua história e de sua cultura.
Aldemar recordou iniciativas anteriores realizadas em parceria com o Judiciário e entidades tradicionalistas e destacou que o Café Campeiro dá continuidade a esse movimento de integração.
Também fez referência ao tema da Semana Farroupilha de 2026, relacionado à herança jesuítica e Guarani no Rio Grande do Sul e aos 400 anos de cultura e tradição.
Em sua manifestação, defendeu a valorização da cidadania, da liberdade e da democracia, além do compromisso da OAB com a sociedade.
BOMBACHA PRETA E A CULTURA NATIVISTA
O patrão do Grupo Folclórico Bombacha Preta, Argeu José Rodrigues, agradeceu à OAB pela parceria e pela abertura do espaço para a realização do Café Campeiro.
Sua participação também reforçou a presença do grupo no movimento de retomada da música nativista em Lagoa Vermelha.
E justamente esse foi outro grande momento da manhã.
Durante o evento, a comissão organizadora da 4ª Lagoa da Canção Nativista realizou a divulgação das dez composições selecionadas para a fase local do festival, além de duas suplentes.
520 INSCRIÇÕES E UM FESTIVAL QUE RENASCE
O coordenador-geral do Festival Lagoa da Canção Nativista, Gláucio Lemos Vieira, apresentou números que demonstram a dimensão alcançada pela retomada do evento.
Ao todo, foram recebidas 520 composições. Deste total, 16 trabalhos participaram da seleção da fase local.
Gláucio ressaltou que a etapa destinada aos artistas de Lagoa Vermelha tem papel fundamental na valorização dos músicos, compositores e intérpretes do município.
Segundo ele, a cidade possui talentos espalhados pelos CTGs, grupos de arte nativa, escolas de música e diferentes espaços culturais, e o festival surge novamente como um palco para essa produção.
A Lagoa da Canção Nativista retorna após 33 anos e terá sua quarta edição realizada nos dias 5, 6 e 7 de novembro.
MAIS DO QUE UM CAFÉ
Ao final, o encontro deixou uma mensagem que ultrapassou o próprio Café Campeiro.
Em um mesmo espaço estiveram reunidos advocacia, Judiciário, Executivo, tradicionalismo, cultura e comunidade.
Entre uma manifestação e outra, a manhã reafirmou que preservar tradições não significa apenas olhar para o passado. Também significa criar condições para que elas continuem fazendo sentido no presente e sejam transmitidas ao futuro.
E, neste contexto, o retorno da Lagoa da Canção Nativista aparece como um dos principais símbolos desse momento vivido por Lagoa Vermelha.





