A possível criação de um mecanismo, dentro do WhatsApp, que derrubará os limites existentes hoje para a publicação de mensagens em grupos vem alertando especialistas, em função do potencial de alavancar a disseminação de conteúdos falsos na plataforma em pleno ano eleitoral.

A funcionalidade, ainda em fase de testes internos, foi apresentada a seis representantes de setores estratégicos no Brasil em uma videoconferência, em 9 de dezembro. Um dos objetivos é tornar o aplicativo mais parecido com o Discord (usado para interação entre gamers) e o Telegram, visto com preocupação pela Justiça Eleitoral pela ausência de barreiras — não há limite para número de inscritos em canais, por exemplo.

A novidade, segundo relataram os especialistas presentes no encontro, deve incluir no WhatsApp “comunidades” compostas por diversos grupos, por meio das quais administradores conseguiriam maior alcance na circulação de mensagens ao operar como um “grupo de grupos” — os estudos estão em andamento, e a empresa não detalha qual será o limite de participantes. Hoje, tanto nos grupos quanto nas listas de transmissão — as duas formas possíveis de alcançar mais de um usuário com um disparo —, a capacidade é limitada a 256 pessoas.

A circulação em massa de mensagens com conteúdos falsos, especialmente em ambientes fechados, como o WhatsApp, foi apontada como um fator grave da eleição de 2018, o que levou autoridades a se mobilizarem para evitar o mesmo cenário este ano. No julgamento da ação que pedia a cassação da chapa que uniu o presidente Jair Bolsonaro e o vice, Hamilton Mourão, sob a acusação de disparos em massa, o ministro Alexandre de Moraes, que presidirá o TSE ao longo do processo eleitoral, foi direto ao tratar do assunto:

– Se houver repetição do que foi feito em 2018, o registro será cassado, e as pessoas vão para a cadeia.

“Impedir desinformação”

O WhatsApp estuda também permitir aos administradores dessas “comunidades” uma maior moderação de conteúdo, como o poder de excluir mensagens e banir membros, algo já existente no Telegram.

Procurado, o WhatsApp não confirma que a ferramenta será lançada e diz que “conduz pesquisas regularmente com seus usuários, especialistas em tecnologia e acadêmicos para avaliar funcionalidades, que podem ou não ser introduzidas”. Ao GLOBO, Dario Durigan, head de Políticas Públicas para o WhatsApp na Meta Brasil, declarou que a empresa “leva muito a sério sua responsabilidade em ajudar a impedir o compartilhamento de desinformação”:

– O WhatsApp trabalha de forma próxima com organizações de checagem de fatos, especialistas da sociedade civil e autoridades eleitorais para combater e reduzir o compartilhamento de desinformação, e apoiar a integridade de processos eleitorais.

Foto: Antonio Augusto/secom/TSE

Fonte: Agência O Globo

 

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