Encontro nacional reuniu mais de 60 jornalistas e formadores de opinião para discutir educação financeira, empreendedorismo e os benefícios do modelo cooperativo para associados e comunidades.
O Sicredi promoveu, no Centro Administrativo Sicredi, a 11ª edição do Encontro Nacional com Jornalistas e Formadores de Opinião, reunindo mais de 60 profissionais de diferentes regiões do Brasil. A programação, realizada em alusão ao Dia Internacional das Cooperativas de Crédito, teve como tema central a contribuição do cooperativismo para o bem-estar financeiro da população e o desenvolvimento econômico das comunidades.
Durante o encontro, dirigentes e especialistas apresentaram indicadores do setor, resultados da instituição e estudos relacionados à educação financeira, ao empreendedorismo e ao relacionamento entre cooperativas e associados.
COOPERATIVISMO AMPLIA PRESENÇA NO BRASIL
Na abertura da programação, César Bochi, diretor-presidente do Banco Cooperativo Sicredi, apresentou um panorama do cooperativismo de crédito no país.
Segundo os dados divulgados, o setor reúne mais de 21 milhões de associados no Brasil. Em mais de mil municípios, as cooperativas de crédito representam a única instituição financeira com presença física.
Bochi destacou que uma das principais características do modelo é a participação dos associados na condição de donos do negócio, com atuação voltada ao atendimento de suas necessidades financeiras.
O Sicredi também apresentou seus resultados de 2025, quando registrou resultado líquido de R$ 7,5 bilhões e distribuiu R$ 1,84 bilhão em sobras aos associados.
Outro indicador destacado foi o Benefício Econômico do Sicredi (BES), que apontou uma economia média de R$ 3,1 mil por associado, totalizando R$ 31,1 bilhões em benefícios econômicos estimados.
Em 2026, a instituição alcançou mais de 10,5 milhões de associados e 3,1 mil agências, mantendo sua estratégia de expansão e relacionamento presencial.
BEM-ESTAR FINANCEIRO VAI ALÉM DOS NÚMEROS
Um dos principais temas do encontro foi a relação entre organização financeira, qualidade de vida e comportamento humano.
A especialista Vivian Rodrigues Magalhães, cofundadora da Nossa, escola para planejadores financeiros independentes, explicou que o bem-estar financeiro envolve a capacidade de administrar compromissos, enfrentar imprevistos, realizar objetivos e manter uma relação equilibrada com o dinheiro.
Segundo Vivian, a condição financeira das pessoas também é influenciada por fatores emocionais, sociais e econômicos.
“Não é possível falar de bem-estar financeiro sem considerar o cenário em que a pessoa vive”, destacou.
A especialista observou que situações de escassez e desigualdade podem influenciar diretamente a tomada de decisões financeiras, demonstrando a importância de considerar a realidade de cada indivíduo.
COOPERATIVAS E O FORTALECIMENTO DOS PEQUENOS NEGÓCIOS
O diretor-executivo de Crédito e Segmentos do Sicredi, Gustavo Freitas, abordou a contribuição das cooperativas de crédito para o empreendedorismo.
Conforme estudo da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), de 2024, o crescimento do número de empreendedores em municípios com cooperativas de crédito apresenta variação 15,6% superior à registrada em localidades sem essas instituições.
Freitas também destacou a participação das micro, pequenas e médias empresas no modelo cooperativo.
No Sicredi, esse segmento representa 89% da carteira de empresas, enquanto a média de mercado apresentada no encontro é de 48%. A instituição informou ainda que 28% das pequenas empresas brasileiras são suas associadas.
Os indicadores foram utilizados para demonstrar a participação do cooperativismo no financiamento de negócios e na movimentação das economias locais.
EDUCAÇÃO FINANCEIRA COMO PRIORIDADE
Rogério Machado, superintendente de Cooperativismo do Sicredi, destacou a importância do princípio cooperativista da educação, formação e informação.
Durante sua apresentação, mencionou indicadores segundo os quais 51% da população adulta brasileira está inadimplente e 39% gasta mais do que recebe, reforçando a necessidade de ampliar o acesso à orientação financeira.
O Sicredi informou que desenvolveu uma metodologia para mensurar o bem-estar financeiro de seus associados e acompanhar os resultados das iniciativas educativas.
De acordo com os dados apresentados, participantes dessas ações registraram melhorias na organização financeira, aumento dos investimentos, redução do risco de inadimplência e maior equilíbrio no fluxo de caixa.
A instituição destacou que um em cada cinco associados participantes apresentou evolução em seu Índice de Bem-Estar Financeiro.
INVESTIMENTOS SOCIAIS SUPERAM R$ 400 MILHÕES
Além dos resultados financeiros, o Sicredi apresentou informações sobre sua atuação social.
No último ano, a instituição destinou mais de R$ 400 milhões a projetos sociais, educacionais e culturais, valor equivalente a uma média superior a R$ 1 milhão por dia.
As iniciativas integram a atuação das cooperativas nas comunidades, com ações que buscam contribuir para a educação, a inclusão financeira e o desenvolvimento regional.
O encontro reforçou a importância do cooperativismo de crédito como alternativa de acesso a serviços financeiros, especialmente em municípios do interior, onde a proximidade entre instituição, associados e comunidade representa uma característica do modelo.





