Endividamento das famílias gaúchas chega a 85,9% em março e acende alerta para o consumo

A Fecomércio-RS divulgou os dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência das Famílias (PEIC-RS), elaborada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, referentes a março de 2026, revelando um cenário que exige atenção no Rio Grande do Sul.

O levantamento aponta que 85,9% das famílias estavam endividadas no mês, um aumento em relação a fevereiro (84,7%), interrompendo duas quedas consecutivas. Apesar disso, o índice ainda permanece abaixo do registrado em março de 2025, quando atingiu 88,1%.

Os dados foram coletados em Porto Alegre, nos últimos dez dias de fevereiro, e consideram apenas dívidas relacionadas à tomada de crédito, como cartão de crédito, financiamentos e empréstimos, sem incluir contas de consumo como água, energia elétrica ou telefonia.

Por outro lado, o percentual de famílias com contas em atraso apresentou leve recuo, passando de 27,0% em fevereiro para 26,7% em março, também abaixo dos 28,3% observados no mesmo período do ano passado.

A redução foi puxada principalmente pelas famílias com renda de até 10 salários mínimos, que registraram queda de 32,7% para 31,9%. Já entre as famílias com renda superior a esse patamar, houve aumento, passando de 7,5% para 8,5%.

Outro dado relevante mostra que 1,7% das famílias declararam não ter condições de quitar nenhuma parte das dívidas em atraso, número que, apesar de ainda baixo, apresentou leve crescimento em relação a fevereiro (1,5%).

Segundo o presidente do Sistema Fecomércio-RS/Sesc/Senac e IFEP, Luiz Carlos Bohn, o cenário é de atenção. “Se por um lado a pesquisa mostra uma interrupção da alta no percentual de famílias que não conseguem manter as contas em dia, por outro há um novo aumento do percentual de endividados. Com juros que tendem a permanecer elevados por mais tempo, o custo das dívidas se torna um limitador da capacidade de consumo das famílias. Sentem as famílias, sentem os negócios”, avaliou.

O resultado reforça a necessidade de acompanhamento constante dos indicadores econômicos, especialmente diante do impacto direto no comércio e na atividade econômica do Estado.

Facebook
Twitter
WhatsApp
Posts Recomendados