RS intensifica ações contra gripe aviária e reúne setor produtivo em fórum estratégico em Montenegro

Órgãos públicos e representantes do setor produtivo estiveram reunidos nesta terça-feira (17), em Montenegro, para debater o cenário da Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) no Brasil e no mundo, com foco nas ações adotadas no Rio Grande do Sul.

Promovido pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), o encontro ocorre em um momento de atenção redobrada, após a confirmação de um foco do vírus H5N1 em aves silvestres na Reserva Ecológica do Taim, no final de fevereiro.

Na abertura do evento, o secretário-adjunto da Seapi, Marcio Madalena, destacou que o Estado já vinha se preparando para esse cenário desde 2023.

“Quando tivemos o primeiro foco em granja comercial, em 2025, não fomos surpreendidos, porque estávamos nos preparando há muito tempo. Queremos que o Rio Grande do Sul seja referência em biosseguridade e controle sanitário”, afirmou.

INTEGRAÇÃO ENTRE SETOR PRODUTIVO E PODER PÚBLICO

O presidente da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav), José Eduardo dos Santos, ressaltou a importância da integração entre produtores, Serviço Veterinário Oficial e a sociedade.

Segundo ele, o momento exige atenção redobrada dentro das propriedades rurais, com ações rigorosas de controle para preservar a atividade avícola.

Já o presidente do Fundesa, Rogério Kerber, enfatizou o diferencial sanitário do Brasil no cenário internacional.

“O país mantém um status sanitário invejável, com embarques diários de mais de 50 mil toneladas de proteína animal, o que demonstra o compromisso do setor com a qualidade e segurança”, pontuou.

CENÁRIO GLOBAL E DESAFIOS DA DOENÇA

A médica veterinária do Ministério da Agricultura, Daniela Pacheco Lacerda, apresentou dados sobre o comportamento da doença no Brasil e no mundo.

Ela destacou que, ao contrário do Hemisfério Norte, onde há maior sazonalidade entre novembro e março, no Hemisfério Sul não existe um padrão definido, devido à influência da migração das aves e das variações climáticas.

Daniela também chamou atenção para a complexidade epidemiológica da influenza aviária.

“Trata-se de uma doença que envolve múltiplas espécies, diferentes rotas de transmissão e ainda é uma zoonose com potencial pandêmico, o que torna seu controle um grande desafio”, explicou.

ATUAÇÃO INTEGRADA E CONCEITO DE ‘UMA SÓ SAÚDE’

Diante desse cenário, foi reforçada a necessidade de atuação integrada entre diferentes áreas.

A articulação entre Agricultura, Saúde e Meio Ambiente, aliada à participação do setor privado, segue o conceito de “Uma Só Saúde”, ampliando a capacidade de detecção precoce e resposta rápida diante de possíveis focos.

BIOSSEGURIDADE COMO PRINCIPAL FERRAMENTA

O consultor técnico Paulo Raffi destacou que a biosseguridade nas granjas é a principal barreira contra a entrada da doença na avicultura comercial.

Ele alertou para pontos críticos que exigem atenção constante, como controle de acesso de pessoas e veículos, presença de aves silvestres, qualidade da água e da ração, além do manejo adequado de resíduos.

“Muitas falhas ainda estão em aspectos básicos, como telas danificadas, equipamentos compartilhados e controle inadequado de pragas”, destacou.

Segundo Raffi, as melhorias podem iniciar com medidas operacionais, de menor custo, evoluindo gradualmente para investimentos estruturais.

AMPLA PARTICIPAÇÃO E ALCANCE NACIONAL

O fórum reuniu 212 participantes de forma presencial, no Teatro Roberto Atayde Cardona, em Montenegro, além de alcançar mais de 1.100 espectadores na transmissão online, com participação de diferentes Estados do país.

O evento foi encerrado com um espaço para perguntas do público, mediado pelo diretor do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal, Fernando Groff, reforçando o caráter técnico e colaborativo do encontro.

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