Relatório aponta que última década foi a mais quente da história e alerta para emergência climática

O relatório Estado do Clima Global 2025, divulgado pela World Meteorological Organization no Dia Mundial da Meteorologia, revelou que o período entre 2015 e 2025 foi o mais quente já registrado desde o início das medições, em 1850.

O estudo também aponta que o ano de 2025 está entre os mais quentes da história, com temperatura média cerca de 1,43°C acima dos níveis pré-industriais.

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, fez um alerta contundente sobre o cenário global.

“O estado do clima global é de emergência. O planeta está sendo levado além de seus limites”, afirmou.

Aquecimento e eventos extremos em alta

O relatório destaca que o aumento das emissões de gases de efeito estufa tem impulsionado o aquecimento da atmosfera e dos oceanos, além de acelerar o derretimento de geleiras.

Eventos extremos, como ondas de calor, chuvas intensas e ciclones tropicais, vêm causando impactos significativos ao redor do mundo, gerando prejuízos econômicos, insegurança alimentar e deslocamento de populações.

Segundo Guterres, a repetição de anos com temperaturas recordes reforça a urgência de ações globais.

“Quando isso acontece onze vezes seguidas, não é coincidência, é um chamado à ação”, ressaltou.

Desequilíbrio energético preocupa especialistas

O estudo também aponta um crescente desequilíbrio energético da Terra, causado pelo acúmulo de gases que retêm calor, como dióxido de carbono, metano e óxido nitroso.

Atualmente, cerca de 91% do excesso de calor está sendo absorvido pelos oceanos, o que contribui para o aumento da temperatura das águas e acelera o derretimento das calotas polares.

Esse processo tem impulsionado a elevação do nível do mar, que vem se acelerando desde o início das medições por satélite, em 1993.

De acordo com a WMO, parte dessas mudanças pode ser irreversível por séculos ou até milênios.

Impactos diretos na saúde e na economia

A secretária-geral da WMO, Celeste Saulo, destacou que as mudanças climáticas já afetam diretamente a vida das pessoas.

Ondas de calor, incêndios, secas e inundações causaram milhares de mortes e impactaram milhões de pessoas em 2025.

Além disso, mais de 1,2 bilhão de trabalhadores no mundo estão expostos a riscos relacionados ao calor, principalmente em setores como agricultura e construção civil.

O relatório ainda aponta o aumento de doenças transmitidas por vetores e água, além de impactos na saúde mental, especialmente entre populações vulneráveis.

Chamado urgente à ação global

O documento reforça a necessidade de integrar dados climáticos aos sistemas de saúde e de adotar medidas preventivas mais eficazes.

Especialistas alertam que a dependência de combustíveis fósseis segue sendo um dos principais fatores de desestabilização do clima global.

O relatório conclui que a crise climática já é uma realidade e que a demora na adoção de medidas pode agravar ainda mais seus impactos nas próximas décadas.

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