Preço dos alimentos cai para a maioria das famílias no RS, aponta novo índice do Estado

O governo do Estado, por meio da Receita Estadual, vinculada à Secretaria da Fazenda (Sefaz), divulgou na segunda-feira (26), pela primeira vez, o Índice de Inflação da Cesta de Alimentos por Faixa de Renda (ICA-RE). O novo indicador foi elaborado a partir dos registros das notas fiscais do varejo e mede o impacto da variação de preços de 80 produtos alimentícios sobre famílias com diferentes níveis de renda, desde domicílios com rendimento inferior a dois salários mínimos até aqueles com renda superior a 25 salários mínimos.

Os dados consolidados de 2025 apontam deflação da cesta de alimentos para a maioria das faixas de renda, com quedas mais significativas entre as famílias de menor poder aquisitivo. O índice recuou 2,12% para domicílios com renda inferior a dois salários mínimos e 1,84% para famílias com rendimento entre dois e três salários mínimos. Também houve redução nos preços para os grupos com renda de três a seis salários mínimos (-1,23%) e de seis a dez salários mínimos (-0,32%).

A única faixa que apresentou aumento no preço médio da cesta foi a de dez a 15 salários mínimos, com inflação de 0,71%. Nas faixas de renda mais elevadas, as variações negativas foram mais leves, indicando menor impacto da deflação sobre esses grupos.

Entre os produtos que mais pressionaram a inflação da cesta de alimentos, o café moído aparece como o principal item em todas as faixas de renda, com impacto médio de 0,90%, chegando a 1,39% entre as famílias de menor renda. Também contribuíram para a elevação dos preços itens como chocolate em tablete, mamão, refrigerante e banana, com impactos mais relevantes nos grupos de renda intermediária e mais altos.

Por outro lado, a queda nos preços de alimentos básicos foi determinante para a deflação observada. O arroz branco apresentou a maior contribuição deflacionária, com recuo médio de 1,16%, especialmente entre as famílias de menor renda. Também registraram quedas expressivas o leite integral, a coxa de frango e o feijão preto.

O ICA-RE também permite a análise regional do comportamento dos preços. Em 2025, a região do Celeiro registrou a maior taxa de inflação da cesta de alimentos, superando a média estadual em diversas faixas de renda. O maior avanço ocorreu entre domicílios com renda entre dez e 15 salários mínimos, que apresentaram inflação de 3,40%, a mais elevada entre todas as faixas analisadas no Rio Grande do Sul.

Em sentido oposto, a região Norte do Estado apresentou a maior queda no preço médio dos alimentos, com deflação em todos os estratos de renda. Entre as famílias com rendimento inferior a dois salários mínimos, a redução superou 5%.

O ICA-RE é calculado considerando o peso de cada alimento na cesta de consumo conforme a faixa de renda, com base na Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) do IBGE, que analisa o perfil de gastos das famílias brasileiras. O índice é publicado mensalmente no Boletim de Preços Dinâmicos, divulgado sempre na primeira semana de cada mês, com dados disponíveis no portal Receita Dados.

De acordo com o subsecretário adjunto da Receita Estadual, Giovanni Padilha, a divulgação do índice por faixa de renda permite um retrato mais fiel do custo da alimentação nos domicílios. Segundo ele, o detalhamento mostra como a inflação afeta de forma desigual cada grupo e pode servir de base para a formulação e o aprimoramento de políticas públicas, além de subsidiar pesquisas acadêmicas.

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