Por Marcos Roberto Nepomuceno | marcos@ngrevista.com.br
Nos últimos anos, o Progressistas (PP) vem consolidando sua força em Lagoa Vermelha, estabelecendo-se como partido dominante na administração do município sob a liderança de Gustavo Bonotto. Sua primeira vitória, ao lado de Clóvis Neckel como vice, foi significativa: além de derrotar Sérgio Menegaz, do PDT, Bonotto interrompeu um ciclo de 16 anos de governos do PDT, que havia governado o município através de Moacir Volpato e depois Getulio Cerioli. Esse marco não apenas refletiu o desejo de mudança dos eleitores, mas também inaugurou uma nova fase para o PP, com uma administração independente e sem alianças formais no Executivo.
Ao buscar a reeleição, Bonotto manteve a mesma estratégia de chapa pura, agora com Eder Piardi como vice. Enfrentando novamente o PDT, desta vez com Rômulo Silva como candidato adversário, Bonotto assegurou a continuidade de sua administração, consolidando o PP como força central no município e promovendo uma gestão autônoma que permitiu maior liberdade nas decisões executivas. Esse controle unificado do governo municipal garantiu ao PP duas gestões de estabilidade e ação direta, com a possibilidade de alocar aliados de confiança ao longo do tempo, sem necessidade de coalizões.
UMA NOVA CONFIGURAÇÃO EM 2024: PARCERIA PP E PODEMOS
Em 2024, a eleição de Eloir Morona pelo PP, com Alessandro Muliterno, do Podemos, como vice, representa um novo capítulo na política de Lagoa Vermelha. Desta vez, Morona enfrentou uma disputa acirrada e venceu candidatos de peso: Alaor Scariot, do PT; Getulio Cerioli, do PDT; e Marcelo Mezzomo, do Republicanos. Essa parceria inédita com o Podemos reflete uma mudança significativa na dinâmica política local e trará novos desafios para o governo municipal, além de demandar um ajustamento de estratégias entre os partidos. A partir de 2025, a nova administração de Morona contará não apenas com o apoio do PP e Podemos, mas também com o respaldo de outros partidos importantes como o PL, União Brasil e PSD, ampliando a base de sustentação do governo.
ADAPTAÇÃO AO COMPARTILHAMENTO DE PODER
O PP, que até então esteve à frente da prefeitura sem alianças formais no Executivo, agora precisará adaptar-se a uma gestão compartilhada. A nova configuração exige diálogo e uma cultura de cooperação, especialmente nas pautas prioritárias para ambos os partidos, como saúde, infraestrutura e desenvolvimento econômico.
INFLUÊNCIA E AUTONOMIA DO PODEMOS
Com Alessandro Muliterno no cargo de vice-prefeito, o Podemos terá uma posição estratégica para trazer suas pautas e valores à administração pública. A presença do partido poderá influenciar as diretrizes de governo e trazer maior pluralidade ao Executivo, ampliando a representatividade e possibilitando que novas demandas da população sejam incluídas na agenda administrativa.
MANUTENÇÃO DA ESTABILIDADE POLÍTICA
Para o sucesso da gestão, a estabilidade entre os partidos será um elemento central. O compartilhamento de poder pode criar desafios, e o entendimento entre PP, Podemos e os novos aliados – PL, União Brasil e PSD – sobre a divisão de responsabilidades e a alocação de cargos de confiança será fundamental para evitar conflitos internos que possam comprometer a administração.
POSSIBILIDADE DE AMPLIAÇÃO DA PARTICIPAÇÃO POPULAR
A aliança entre PP, Podemos e os novos partidos de apoio tem o potencial de promover uma administração mais inclusiva, que amplie o diálogo com diferentes setores da sociedade e traga maior pluralidade para o governo. Essa coalizão pode representar uma oportunidade para o Executivo abrir-se mais à participação popular, incluindo novas vozes e promovendo uma gestão colaborativa e democrática.
Essa nova fase da administração pública em Lagoa Vermelha marca uma etapa de transição importante, testando a flexibilidade do PP e sua capacidade de governar em coalizão. Se bem-sucedida, a parceria ampliada poderá fortalecer o município, estabelecendo um modelo de governança mais representativo e inovador para o futuro.
Foto: Natalia Biazus