Poupança registra saída de R$ 11,1 bilhões em março e mantém tendência de queda

A caderneta de poupança voltou a registrar saldo negativo em março deste ano, com mais saques do que depósitos. De acordo com relatório divulgado nesta quinta-feira (9) pelo Banco Central (BC), as retiradas superaram as aplicações em R$ 11,1 bilhões.

No período, os brasileiros depositaram R$ 369,6 bilhões, enquanto os saques totalizaram R$ 380,7 bilhões. Os rendimentos creditados nas contas somaram R$ 6,3 bilhões, mantendo o saldo total da poupança próximo de R$ 1 trilhão.

A tendência de retiradas líquidas não é recente. Nos últimos anos, a poupança tem apresentado desempenho negativo: em 2023, o saldo foi de R$ 87,8 bilhões em saques líquidos, enquanto em 2024 o valor ficou em R$ 15,5 bilhões. No ano passado, o saldo negativo acumulado chegou a R$ 85,6 bilhões.

Somente no primeiro trimestre de 2026, a poupança já registra retirada líquida de R$ 41,2 bilhões. Entre os principais fatores está o patamar elevado da taxa básica de juros, a Selic, que incentiva investidores a buscarem alternativas mais rentáveis.

Na última reunião, o Comitê de Política Monetária (Copom) iniciou um ciclo de redução da Selic, com corte de 0,25 ponto percentual. No entanto, o cenário internacional, especialmente as tensões no Oriente Médio, pode influenciar a condução da política monetária.

A Selic é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação, cuja meta oficial é de 3% ao ano, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em fevereiro, a inflação foi de 0,7%, impulsionada pelos setores de transportes e educação. No acumulado de 12 meses, o índice recuou para 3,81%, ficando abaixo de 4% pela primeira vez desde maio de 2024.

O resultado da inflação de março será divulgado nesta sexta-feira (10) pelo IBGE e deve refletir, inclusive, os impactos do cenário internacional recente.

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