Reportagem | Foto: Marcos Roberto Nepomuceno
Entidade tradicionalista teve participação de destaque no Desfile Farroupilha e relembrou uma trajetória marcada pelas cavalgadas, integração e preservação da cultura gaúcha
O Piquete 35 foi uma das entidades que participaram do Desfile Farroupilha realizado no sábado, 26 de setembro, na Avenida Afonso Pena, em Lagoa Vermelha. Capitaneado pelo patrão Giovanni Andrig, o grupo apresentou uma trajetória que completa quatro décadas e tem nas cavalgadas uma de suas principais marcas.
A história da entidade também esteve diretamente ligada a um dos momentos simbólicos dos Festejos Farroupilhas de 2026: o transporte da centelha da Chama Crioula.
UMA HISTÓRIA QUE COMEÇOU EM 1985
Conforme o protocolo apresentado durante o desfile, o Piquete 35 nasceu de um grupo de moradores que se reunia semanalmente para jantar.
Em setembro de 1985, alguns integrantes procuraram a comissão organizadora da Semana Farroupilha e se colocaram à disposição para realizar uma cavalgada e participar do acendimento da centelha da Chama Crioula.
Como naquele ano eram comemorados os 150 anos da Revolução Farroupilha, o então coordenador da 8ª Região Tradicionalista, César Luiz Tagliari Vieira, sugeriu o nome Piquete 35. Surgia, assim, a entidade.
CAVALGADAS SE TORNARAM UMA MARCA
Ao longo de sua história, o Piquete 35 consolidou as cavalgadas e os encontros semanais como importantes atividades. A entidade também promove dois jantares campeiros abertos à comunidade e à região, realizados tradicionalmente nos meses de maio e setembro.
No lombo dos cavalos, seus integrantes já percorreram diferentes regiões. O Piquete 35 foi pioneiro nas cavalgadas com destino ao Rodeio Internacional de Vacaria e também registra participações na Cavalgada do Mar, Cavalgada da Serra, Cavalgada de Integração entre Lagoa Vermelha e Campo Largo, no Paraná, além de romarias e atividades relacionadas à Chama Crioula.
Desde 1985, também realiza a Cavalgada Cívico-Tradicionalista no município de Lagoa Vermelha, passando ao longo dos anos por dezenas de fazendas e comunidades.
300 QUILÔMETROS PELA CHAMA CRIOULA
Em 2026, o grupo voltou a assumir uma missão especial. Conforme destacado no protocolo, integrantes do Piquete 35 percorreram aproximadamente 300 quilômetros a cavalo, desde Rio Pardo, onde ocorreu a geração da Chama Crioula, até André da Rocha, município responsável pela distribuição da centelha para a 8ª Região Tradicionalista.
Posteriormente, a Chama chegou a Lagoa Vermelha e foi recebida junto ao palanque oficial do desfile pelo prefeito Eloir Morona e pelo homenageado municipal Hil Josinho Cunha.
TRADIÇÃO, INTEGRAÇÃO E AMIZADE
Mais do que percorrer quilômetros, as cavalgadas representam para o Piquete 35 uma forma de manter o contato com comunidades, estabelecer amizades e preservar histórias e costumes ligados à vida campeira.
A passagem pela Avenida Afonso Pena sintetizou uma caminhada iniciada há quatro décadas e mantida por diferentes integrantes que encontraram no cavalo, na convivência e no tradicionalismo uma maneira de preservar as raízes do Rio Grande.
Como destacou o próprio protocolo do desfile: percorrendo caminhos, cultivando tradições e fazendo amizades.





