Número de filhotes atendidos pelo Grupo de Estudos de Animais Silvestres da UPF cresce 8,8% em 2022

Mudanças climáticas e interferência humana estão entre as principais causas apontadas para esse aumento

O respeito e o cuidado fazem parte do trabalho diário da equipe do Grupo de Estudos de Animais Silvestres da Universidade de Passo Fundo (Geas/UPF). Vinculado ao Hospital Veterinário (HV) da Instituição, em 2023 o Geas realizou mais de 550 atendimentos, possibilitando cuidado, bem-estar e qualidade de vida para diversas espécies, tendo entre elas aves, pumas, cervos, tartarugas e muitos outros. Formado por estudantes e professores dos cursos de Medicina Veterinária e Ciências Biológicas, o espaço integra prática e teoria, aproximando-os do conhecimento. No período, o número de atendimentos a filhotes teve um crescimento de 8,8% em relação ao ano anterior.

Coordenadora do grupo, a médica veterinária e professora Me. Michelli de Athaide pontua que entre as causas para esse aumento estão as mudanças climáticas que causam um cenário preocupante. “Frio e calor extremo, estiagem, temporais, são mudanças no planeta inteiro que acabam colocando os animais em risco. Sempre depois de ventos, recebemos muitas aves fraturadas, atropeladas, filhotes que caem dos ninhos, mamíferos feridos, perdidos e assim por diante…”, comenta a docente que aponta, ainda, que os passeriformes (bem-te-vis, sabiás, canários, dentre outros) foram os mais encaminhados ao Grupo em 2022.

60% dos atendidos voltam à natureza

Desde 2012, ano da sua criação, o Geas trabalha em parceria com órgãos ambientais como secretarias Municipal e Estadual de Meio Ambiente (Smam e Sema) e Ibama, recebendo encaminhamentos de animais em condições de ilegalidade, maus-tratos e abandono. Em dez anos de atuação, cerca de seis mil silvestres já passaram pelo grupo, sendo que destes, 60% retornaram à natureza após recuperação, sendo o restante encaminhado para mantenedouros da fauna silvestre.

A interferência humana é um dos fatores que contribui de forma significativa para que muitos animais não consigam retornar ao habitat natural. “Às vezes, mesmo quando queremos ajudar, podemos estar prejudicando e condenando um animal ao óbito ou a perda da sua liberdade. Por isso, não devemos nos aproximar ou querer tê-los em casa, muito menos caçá-los e favorecer o tráfico. O resgate e reabilitação de animais silvestres deve ser realizado com técnica e por profissionais responsáveis”, explica.

Mesmo em atendimentos no Hospital Veterinário, os profissionais que realizam os cuidados com os animais resgatados optam por não dar nomes ou conversar próximo a eles para que não se acostumem à presença humana. Todo esse cuidado é fundamental na tentativa de poder devolver os animais ao seu espaço natural. “O nosso trabalho exige muitos plantões e noites em claro, é tudo feito com muito amor. Quando conseguimos soltá-los, é a melhor e maior gratificação”, conta a professora.

Além dos animais resgatados da natureza, os profissionais e estagiários do Geas atendem aqueles criados como pets como coelhos, porquinhos-da-índia e papagaios, encaminhados pelos seus tutores quando precisam de algum atendimento.

Extensão do ensino     

Vinculado ao Geas Brasil, o grupo proporciona aos seus integrantes uma partilha de conhecimento em nível nacional também. “É oportunidade de trocar experiências, de estágios, contatos profissionais com todos os demais Geas brasileiros que existem com os mesmos interesses e que podem se ajudar e ajudar quem mais precisa: o meio-ambiente. Estamos contribuindo para a ciência, para o crescimento profissional, respeito às classes envolvidas e aos animais. Juntos e, com o embasamento da ciência, podemos mudar o mundo, com exemplos e com o nosso trabalho”, conclui a coordenadora.

Fotos: Camila Guedes e Tainá Binelo / AI-UPF

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