Levantamento divulgado nesta quinta-feira (19) pela Unidade de Estudos Econômicos do Sistema FIERGS revela que 63,3% das indústrias do Rio Grande do Sul pretendem realizar investimentos em 2026. O índice representa uma queda de 11,7 pontos percentuais em relação ao ano passado, quando 75% das empresas demonstravam intenção de investir.
CENÁRIO PREOCUPA O SETOR INDUSTRIAL
Para o presidente do Sistema FIERGS, Claudio Bier, o momento exige atenção. Segundo ele, fatores como juros elevados, instabilidade econômica e tensões internacionais impactam diretamente o ambiente de negócios.
“A predisposição a investir depende de um ambiente favorável, mas o que vemos são juros elevados, tensões geopolíticas e uma economia fragilizada. Sem investimentos, a geração de novos empregos e renda fica limitada”, avalia.
RS SEGUE ACIMA DA MÉDIA NACIONAL
Apesar da retração, o índice gaúcho ainda supera a média nacional, que está em 56%, conforme dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI). O dado demonstra que, mesmo diante das dificuldades, o setor industrial do Estado mantém um nível de confiança relativamente superior ao restante do país.
MAIORIA DOS INVESTIMENTOS JÁ ESTAVA EM ANDAMENTO
A pesquisa aponta que 68,4% das empresas que pretendem investir em 2026 já possuem projetos iniciados anteriormente. Apenas 31,6% dos investimentos previstos correspondem a novos projetos.
Entre as indústrias que não planejam investir neste ano, 55,3% afirmam não ter qualquer plano em andamento ou previsão futura, enquanto 42,6% indicam que a decisão decorre do adiamento ou cancelamento de investimentos já programados.
FOCO NA MELHORIA DOS PROCESSOS PRODUTIVOS
A principal destinação dos recursos será a melhoria do processo produtivo, citada por 55,7% dos industriais — um crescimento de 10,3 pontos percentuais em relação à pesquisa anterior. O dado reforça a busca por eficiência e competitividade em um cenário econômico desafiador.
INVESTIMENTOS FICARAM ABAIXO DO ESPERADO EM 2025
O estudo também revela que, em 2025, os investimentos realizados ficaram abaixo das expectativas iniciais. Enquanto 75% das empresas pretendiam investir, apenas 71,6% efetivamente concretizaram seus planos.
Entre as indústrias com projetos, somente 41,5% executaram integralmente os investimentos. Já o percentual de empresas que adiaram ou cancelaram projetos subiu para 19,9%, indicando maior cautela por parte do setor.
MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS LIDERAM APORTES
A aquisição de máquinas e equipamentos novos segue como principal tipo de investimento, mencionada por 84,5% das empresas — mantendo a liderança dessa modalidade desde 2014, ainda que com leve recuo em relação ao ano anterior.
CENÁRIO INTERNACIONAL PODE IMPACTAR DECISÕES
Após a coleta dos dados, fatores externos passaram a influenciar o ambiente econômico. A redução de parte das tarifas dos Estados Unidos trouxe sinal positivo para as exportações, enquanto o aumento das tensões no Oriente Médio elevou o preço do petróleo e ampliou pressões inflacionárias.
Esses elementos aumentam a incerteza sobre a trajetória dos juros e podem impactar diretamente as decisões de investimento ao longo de 2026.
A pesquisa foi realizada entre 5 e 14 de janeiro, com 162 empresas — sendo 134 da indústria de transformação e 28 da construção, incluindo pequenos, médios e grandes negócios.





