Desfile Farroupilha reúne gerações e celebra a tradição gaúcha em Lagoa Vermelha

Reportagem | Foto: Marcos Roberto Nepomuceno

Avenida Afonso Pena recebeu neste sábado, 26 de setembro, autoridades, homenageados, forças de segurança, CTGs, piquetes, entidades e tradicionalistas de Lagoa Vermelha e região

A tradição gaúcha tomou conta da Avenida Afonso Pena neste sábado, 26 de setembro, durante o Desfile Farroupilha de Lagoa Vermelha. Do início dos atos oficiais à passagem dos últimos cavalarianos, diferentes gerações estiveram reunidas para celebrar a história, os costumes e a identidade cultural do Rio Grande do Sul.

Autoridades, homenageados, forças de segurança, prendas e peões, CTGs, piquetes, grupos culturais, escoteiros, cavalarianos, entidades e famílias participaram da programação, que também contou com representantes de municípios da região.

Em 2026, os Festejos Farroupilhas têm como tema “Herança Jesuítica e Guarani no Rio Grande do Sul – 400 anos de cultura e tradição”. A homenagem recorda quatro séculos da presença jesuítica e do encontro com os povos Guarani no território gaúcho, tendo como marco histórico o início das missões e a fundação da Redução de São Nicolau, em 1626.

O tema também evidencia o protagonismo Guarani, valorizando a língua, os costumes, o artesanato e a participação das mulheres na preservação e transmissão dos saberes.

CHAMA CRIOULA CHEGA À AVENIDA

Um dos momentos simbólicos da programação foi a chegada da Chama Crioula. Gerada em Rio Pardo, a centelha foi conduzida por integrantes do Piquete 35, que realizaram o percurso a cavalo.

No palanque oficial, a Chama Crioula foi entregue pelo patrão do Piquete 35, Giovanni Quadros Andrig, e recebida pelo prefeito Eloir Morona e pelo homenageado municipal dos Festejos Farroupilhas, Hil Josinho Cunha.

Participaram dos atos oficiais o vice-prefeito Alessandro Muliterno; o presidente da Câmara de Vereadores, Luiz Carlos Kramer; a secretária municipal de Desenvolvimento Econômico, Paula Carvalho Dornelles; o presidente da Comissão Organizadora da Semana Farroupilha, Alvício Teles; além de representantes das forças de segurança, secretários municipais, vereadores e lideranças tradicionalistas.

HOMENAGENS MARCAM OS FESTEJOS DE 2026

Os Festejos Farroupilhas também reconheceram pessoas com trajetória ligada à preservação das tradições.

Marianita Hortaça é a patrona estadual, enquanto Lauri Teresinha Brandão de Almeida é a homenageada da 8ª Região Tradicionalista.

Em Lagoa Vermelha, o homenageado municipal é Hil Josinho Cunha. O CTG Alexandre Pato homenageia Clacir Bonatto, enquanto o Piquete 35 presta sua homenagem a Luiz Sérgio Pereira da Silva, conhecido como Tedo.

Em seu pronunciamento, Hil Josinho Cunha agradeceu à comissão, às entidades, à comunidade e à família, recordando pessoas que tiveram participação em sua formação tradicionalista.

O vice-prefeito Alessandro Muliterno ressaltou a importância de transmitir às novas gerações o orgulho e os valores recebidos dos antepassados, destacando ainda a identidade de Lagoa Vermelha como Capital Nacional do Churrasco e Capital Nacional da Chula.

Já o prefeito Eloir Morona defendeu a preservação das tradições e encerrou sua manifestação recordando a histórica frase atribuída a Sepé Tiaraju: “Esta terra tem dono”.

FORÇAS DE SEGURANÇA ABREM O DESFILE

Após a passagem das bandeiras do Brasil, Rio Grande do Sul, Lagoa Vermelha, Movimento Tradicionalista Gaúcho e 8ª Região Tradicionalista, teve início a apresentação das instituições.

Passaram pela Avenida Afonso Pena a Polícia Civil, Brigada Militar, Polícia Ambiental – PATRAM, Corpo de Bombeiros Militar, Bombeiros Mirins e Polícia Penal do Rio Grande do Sul.

Na sequência, participaram o Grupo Escoteiros Lagoa Vermelha – 432/RS e o Grupo de Escoteiros Guaianás, destacando valores como cidadania, solidariedade, respeito, responsabilidade e participação comunitária.

As prendas e peões da 8ª Região Tradicionalista também participaram do desfile, representando a continuidade do movimento entre crianças e jovens.

CTGS E GRUPOS CULTURAIS MOSTRAM A FORÇA DO TRADICIONALISMO

O CTG Alexandre Pato levou para a avenida diferentes gerações de tradicionalistas, com participação de prendas, peões, escolinha e invernadas. A entidade também apresentou elementos relacionados ao tema dos Festejos Farroupilhas de 2026.

A Cruz Missioneira, o chimarrão, referências aos Sete Povos das Missões, o churrasco e a chula estiveram entre os elementos apresentados.

O Grupo de Arte Nativa Lagoa Vermelha também desenvolveu o tema da herança missioneira e dos povos originários, relacionando história, cultura e aspectos da própria identidade de Lagoa Vermelha.

O Grupo Folclórico Bombacha Preta marcou presença reafirmando sua trajetória de preservação dos costumes gaúchos.

Representando Capão Bonito do Sul, o CTG Nenê Lima também integrou o desfile. Fundada em 2005, a entidade mantém trabalho voltado à preservação dos princípios, valores e costumes do tradicionalismo.

PIQUETE 35 RELEMBRA TRAJETÓRIA DE CAVALGADAS

O Piquete 35 levou para a avenida uma história iniciada em 1985 e fortemente relacionada às cavalgadas.

Neste ano, seus integrantes participaram do translado da centelha da Chama Crioula, percorrendo aproximadamente 300 quilômetros desde Rio Pardo até André da Rocha, município responsável pela distribuição para a 8ª Região Tradicionalista, seguindo posteriormente até Lagoa Vermelha.

A entidade também mantém a tradicional Cavalgada Cívico-Tradicionalista e uma trajetória de participação em diferentes cavalgadas pelo Rio Grande do Sul e outras regiões.

PIQUETES E CAVALARIANOS OCUPAM A AFONSO PENA

A cultura campeira teve forte presença na segunda parte do desfile.

Participaram os piquetes de Laçadores Rincão da Esperança, Alvorada dos Pampas, Cabanha Dom Corradino, Estância da Liberdade, Calouros do Laço, Cabanha do Ipê, Potro Sem Dono, Campanha das Rosas e Alma Colorada.

A passagem de cavalarianos de diferentes idades reforçou uma característica presente ao longo de toda a programação: a tradição transmitida entre gerações.

Pais, filhos, avós e netos compartilharam a avenida, demonstrando que a continuidade do tradicionalismo está diretamente relacionada ao envolvimento das famílias.

MULHERES TAMBÉM PROTAGONIZAM O DESFILE

O protagonismo feminino esteve representado, entre outros momentos, pela participação do Grupo Mulheres a Cavalo.

Criado a partir de uma cavalgada realizada em apoio ao Outubro Rosa, em 2019, o grupo reúne mulheres pela paixão pelos cavalos e pelo tradicionalismo. Desde então, participa e promove atividades como a Cavalgada do Bem, Cavalgada Natalina, Cavalgada da Lua, cavalgadas religiosas e a própria Cavalgada do Outubro Rosa.

A presença das integrantes na Avenida Afonso Pena reforçou a participação das mulheres na cultura campeira e na preservação das tradições gaúchas.

CAMPO, FAMÍLIA E HISTÓRIAS DE VIDA

Outras iniciativas ligadas ao campo também participaram do desfile, entre elas a Campanha da Confiança e o Centro de Treinamento Alma de Campo.

A Mini Fazenda Canaã e Cabanha Recanto do Minuano, do Rincão Comprido, em Capão Bonito do Sul, apresentaram alguns de seus animais e uma história familiar iniciada em 2019 por Marcelo Pereira, Ivanete Porto e Natália Pereira Porto.

Entre os animais está Minuano, um petiço meio-sangue crioulo que inspirou o nome da cabanha e possui significado especial para a família por sua ligação com uma história de superação vivida por Natália.

Também participou o Grupo de Cavalgadas Gaúcho do Tempo Antigo, de Capão Bonito do Sul, que desenvolve atividades buscando incentivar especialmente a participação de crianças e jovens.

ENTIDADES TAMBÉM PARTICIPAM DA PROGRAMAÇÃO

O desfile abriu espaço ainda para entidades que desenvolvem diferentes trabalhos junto à comunidade.

A Associação dos Artesãos apresentou a importância da preservação de técnicas e conhecimentos transmitidos pelas gerações, enquanto a ONG Apia destacou sua trajetória de 12 anos dedicada à proteção e ao bem-estar animal em Lagoa Vermelha.

A diversidade dos participantes demonstrou que os Festejos Farroupilhas ultrapassam o ambiente exclusivamente campeiro, reunindo diferentes segmentos da comunidade em torno da identidade cultural do Rio Grande do Sul.

TRADIÇÃO PASSADA DE GERAÇÃO PARA GERAÇÃO

Um dos aspectos mais marcantes do Desfile Farroupilha de 2026 foi justamente a diversidade de idades entre os participantes.

Crianças montadas ao lado dos pais, jovens integrantes das invernadas, prendas e peões, tradicionalistas com décadas de participação e famílias inteiras percorreram a Avenida Afonso Pena.

Ao final da programação, o prefeito Eloir Morona foi chamado para realizar o ato simbólico de extinção da Chama Crioula de 2026.

O encerramento concluiu uma tarde em que a Avenida Afonso Pena se transformou em palco para diferentes capítulos da história e da cultura regional.

Mais do que recordar o passado, o Desfile Farroupilha de Lagoa Vermelha mostrou uma tradição que continua sendo construída no presente e transmitida para aqueles que terão a responsabilidade de mantê-la viva no futuro.

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