COLUNA MARCOS ROBERTO NEPOMUCENO | Liberdade de expressão não é salvo-conduto para o vazio

A liberdade de expressão é um direito inegociável e um dos alicerces centrais da democracia. Nenhuma sociedade avança quando cala vozes, restringe opiniões ou criminaliza o pensamento divergente. Defender esse princípio é defender a pluralidade, o debate e a própria civilização.

Mas é preciso dizer, com clareza: liberdade de expressão não é sinônimo de autoridade moral, tampouco certificado automático de conhecimento. Opinar é um direito; compreender é uma responsabilidade. O que se vê, cada vez com mais frequência, é a substituição da experiência pelo palpite, do estudo pelo achismo e da vivência real por convicções fabricadas em timelines.

As redes sociais criaram um ambiente onde todos falam, poucos escutam e quase ninguém admite não saber. O palco é amplo, o microfone está aberto, mas o conteúdo, muitas vezes, é raso. Isso não invalida o direito à fala — mas empobrece o debate público e banaliza temas complexos que exigiriam mais preparo, mais leitura e menos arrogância.

Criticar é legítimo. Cobrar é necessário. Exigir também faz parte do jogo democrático. O problema surge quando se exige dos outros aquilo que nunca se viveu, nunca se construiu e nunca se enfrentou. Há uma diferença enorme entre análise e julgamento, entre opinião e sentença.

Uma sociedade madura não se mede pela quantidade de opiniões emitidas, mas pela qualidade do debate que consegue sustentar. A liberdade de expressão segue sendo sagrada — mas ela cresce quando caminha junto com responsabilidade, humildade intelectual e respeito às trajetórias alheias.

Falar é fácil. Sustentar argumentos, compreender contextos e reconhecer limites é o verdadeiro exercício da liberdade.

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