Coluna Marcos Roberto Nepomuceno | 25 ANOS DEPOIS, O TURISMO AINDA NOS COBRA VISÃO

Em 3 de abril de 2001, o Jornal Folha do Nordeste publicava uma matéria que tratava de um tema que, passadas mais de duas décadas, segue atual: o turismo em Lagoa Vermelha e o potencial ainda subaproveitado de nossa região. À época, já se discutia a importância de preparar o município para receber visitantes, estruturar o comércio e compreender o turismo como vetor de desenvolvimento econômico.

Um trecho daquela publicação chama a atenção e permanece extremamente atual: “Os organizadores do evento querem que os empresários se preparem para atender esse público”. A frase, simples e direta, ecoa até os dias de hoje — e talvez explique por que ainda debatemos as mesmas questões.

Passados 25 anos, muita coisa mudou. Lagoa Vermelha conquistou títulos expressivos e simbólicos, que carregam identidade e responsabilidade: somos hoje a Capital Nacional do Churrasco e também a Capital Nacional da Dança da Chula. Dois reconhecimentos que, por si só, colocam o município em um patamar diferenciado no cenário estadual e nacional.

Mas a pergunta que se impõe é inevitável: estamos, de fato, explorando todo esse potencial?

O turismo não pode ser tratado como um evento isolado, restrito a datas específicas ou festividades pontuais. Ele precisa ser pensado como política permanente, como estratégia integrada entre poder público, iniciativa privada e comunidade. Turismo é cadeia produtiva, é geração de renda, é fortalecimento da identidade local e, sobretudo, é oportunidade.

Em 2001, já se falava também sobre o impacto econômico direto do turismo, ao destacar que “se cada turista gastasse 10 dólares por dia (…) mais de 50 mil dólares em um mês”. A lógica permanece a mesma — apenas os números mudaram. Hoje, com maior fluxo, mais visibilidade e novos meios de divulgação, o potencial é ainda mais significativo.

Temos atributos que muitas cidades gostariam de ter: tradição, cultura forte, gastronomia reconhecida e localização estratégica. O churrasco não é apenas um prato — é um símbolo. A dança da chula não é apenas uma expressão artística — é patrimônio cultural. No entanto, esses elementos precisam ser transformados em produtos turísticos estruturados, com roteiro, promoção, acolhimento e continuidade.

Ainda carecemos de um planejamento mais ousado, que vá além do discurso e avance para ações concretas. É preciso investir em infraestrutura, sinalização, qualificação profissional e, principalmente, em uma visão coletiva de desenvolvimento. O turismo não cresce de forma isolada — ele depende de um ecossistema organizado.

Outro ponto fundamental é a valorização daquilo que é nosso. Muitas vezes, buscamos referências externas quando temos, dentro de casa, riquezas culturais e históricas capazes de atrair visitantes e gerar orgulho na própria comunidade.

O resgate daquela matéria de 2001 não é apenas um exercício de memória. É, sobretudo, um alerta. O tempo passou, as oportunidades evoluíram, mas a essência do desafio permanece a mesma: transformar potencial em resultado.

Lagoa Vermelha tem tudo para se consolidar como um verdadeiro polo turístico regional. Mas, para isso, é necessário decisão, planejamento e, acima de tudo, atitude.

Porque turismo não é promessa. É construção.

E, 25 anos depois, ainda estamos construindo — talvez mais lentamente do que deveríamos.

Facebook
Twitter
WhatsApp
Posts Recomendados