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Má-fé ou obtusidade? – Edição de Outubro de 2013

O CO2 contribui para o efeito-estufa, por sua capacidade de deixar a luz solar atingir a superfície terrestre, mas reter parte da radiação que o planeta reflete para o espaço.
Vejamos: que parte desta informação é difícil de entender? Nenhuma. É evidente que o CO2 não é o único gás com o efeito descrito acima. O metano também prende o calor na superfície terrestre, em grau bem maior, mas o metano é bem mais raro na atmosfera (embora exista em depósitos terrestres e submarinos).
Só a má-fé cínica ou a obtusidade córnea (frase criada por Eça de Queirós e copiada por Nélson Rodrigues) pode explicar a incapacidade de certas pessoas de entender verdades simples.
É exatamente o que se passa com o problema do aquecimento global, como num passado recente aconteceu com a nicotina.
Quem não se lembra das grandes indústrias tabagísticas negando de pés juntos que a nicotina era causadora de câncer nos pulmões?
À medida que a verdade foi se tornando mais clara, apenas nos países mais atrasados, como o Brasil, havia resistência quando ambientes fechados se dispunham a primeiro restringir e depois proibir o fumo em suas dependências.
Era o Big Tobacco. Como agora temos a indústria de combustíveis fósseis, interessada em dizer que o lançamento de bilhões de toneladas de CO2 na atmosfera, pela queima de petróleo e de carvão, não tem qualquer influência sobre o clima terrestre.
Para os cretinos, eles até inventaram uma justificativa: o CO2 contribui para o crescimento das árvores.
É ignorar a obviedade de que a diferença entre o remédio e o veneno está na dose. Ou, como se diz em inglês, “too much of a good thing is a bad thing”.
Pressurosamente, o Big Oil chegou a divulgar com antecedência que o Painel Intergovernamental sobre Mudança de Clima, o IPCC, anunciaria em Estocolmo que a temperatura terrestre estava descendo, não subindo. Quebrou a cara, pois o Painel disse o contrário: a temperatura da Terra está subindo e dentro de 30 anos teremos uma catástrofe, embora seja perfeitamente possível que, em um determinado ano, a temperatura do planeta seja inferior ao do ano anterior.
O que interessa é o panorama geral, de ascensão.
Agora, a revista Nature divulga um estudo da Universidade do Havaí, de uma equipe chefiada pelo dr. Camilo Mora, dizendo que, quando atingirmos a metade do século, “os anos mais frios serão mais quentes do que os anos mais quentes entre 1860 e 2005”.
As regiões tropicais, segundo o estudo, serão mais intensamente atingidas. A cobertura vegetal do planeta, estressada, vai ser prejudicada, não beneficiada, pelas alterações climáticas.
Outra tolice é dizer que há variação natural do clima, independente da ação humana. É claro que há, com ciclos glaciais e não glaciais. Mas o ponto em questão é que o homem está diretamente intervindo no momento na composição da atmosfera terrestre, independentemente do que meteoros, vulcões ou mudanças no eixo do planeta possam fazer no futuro.
A frase de Eça de Queirós é cada vez mais atual.
José Inácio Werneck, Jornalista
www.diretodaredacao.com.br

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