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Lagoa Vermelha – A História da Cidade

A extensão territorial que constitui o município de Lagoa Vermelha fez parte, primitivamente, do município de Santo Antônio da Patrulha. Este pertencia à fraguesia de Nossa Senhora de Oliveira de Vacaria. Os padre jesuítas espanhóis, advindos de possessões da Espanha no Rio da Prata, foram os primeiros povoadores brancos que ali se estabeleceram. Com a fundação dos sete povos das missões, à margem esquerda do Rio Uruguai, os jesuítas, tendo a colaboração dos indiginas, introduziram a criação de gado, que além de outros municípios, alcançou também o de Lagoa Vermelha. Entretanto, em fase da conquista dos povos das missões, em 1801, os habitantes locais se viram, de um momento para outro sem a assistência de seus protetores, e o gado que tratavam passou a constituir objeto de cobiça dos bandeirantes e de fazendeiros inescrupulosos das regiões vizinhas.

No correr do ano de 1844, junto com um pequeno conglomerado de habitações modestas, levantou-se humilde capela, que veio a ser inaugurada a 25 de janeiro do ano seguinte. Com a ereção deste templo católico, dedicado ao apóstolo São Paulo, ficou fundada a povoação de Lagoa Vermelha, situada sobre a linha divisória das águas do Rio Pelotas e afluentes do Antas.

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Quando a Lei provincial nº 185 de 22 de outubro de 1850, criou o município de Vacaria, Lagoa Vermelha passou a fazer parte de deste novo município. Entretanto, uma outra Lei provincial de nº 1.018, datada em 11 de abril de 1876, inverteu esta ordem de coisas. Lagoa Vermelha foi elevada à categoria de município e o território de Vacaria não mais município, passou a integrar a comuna de Lagoa Vermelha. O fato, por si, despertou certa rivalidade entre as populações de Vacaria e Lagoa Vermelha, e a reação dos habitantes de Vacaria, repercutindo junto do governo da província, culminou com a promulgação da Lei de 1º de abril de 1878, que restaurava o município de Vacaria e suprimia o de Lagoa Vermelha, apesar disso, Lagoa Vermelha começava a dar mostras de progresso e desenvolvimento efetivo, no que diz respeito a produção agropecuária. Seus habitantes, consciente de uma causa justa por que se debatiam, não perderam de vista seus propósitos de fazer Lagoa Vermelha uma comunidade dona de seus destinos. Apenas decorridos 3 anos, viram, os seus esforços coroados com êxito. Lagoa Vermelha, foi novamente restaurado como município, pela Lei nº 1.309, de 10 de maio de 1881. E, em 26 de janeiro de 1883, veio a ser solene e definitivamente instalado, com uma extensão territorial, que se delimitava pelo Rio das Antas e Pelotas. Todo o seu território afora, então, desmembrado do município de Vacaria. A Câmara Municipal, que haveria de reger os destinos administrativos da comunidade, foi integrada pelos vereadores Francisco Ferreira Leão Sobrinho, Alfredo Dias de Morais, Augusto Edmundo Moojen, Eduardo de Souza Marques, Heledoro de Morais Branco, Lopo da Silva Carrão e Elias José de Oliveira. O primeiro e o segundo ocuparam, respectivamente, as funções de Presidente e Secretário da Câmara.

Já na fase republicana, a partir de 15 de abril de 1890, por nomeação do Presidente do Estado, exerceram as funções de Intendentes Municipais os senhores. José Muliterno, Jorge Guilherme Moojen e Napoleão César Bueno. Em 26 de outubro de 1891, foi levada a efeito a 1º eleição municipal para a composição da Câmara Legislativa, na qual foram eleitos os senhores. Cândido Dias de Carvalho, como Presidente, Zeferino Sales de Bitencourt, como secretário, Afonso Crispim Dias, João Lúcio Nunes, Francisco Gentil e Luiz Alves de Souza Marques. A esta Câmara coube a elaboração da 1º Lei Orgânica do município, promulgada a 4 de setembro de 1892.

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O município de Lagoa Vermelha oferece um registro de acontecimentos memoráveis ligados às perturbações políticas e revolucionárias, que abalaram o estado, a partir da última década do século XIX. Como é sabido no ano de 1893. O Dr. Gaspar da Silveira Martins, à frente do partido federalista, sustentava uma luta tenaz contra a situação dominante do Estado. Os chefes federalistas, simultaneamente com o manifesto de 15 de março, vinham invadir o Estado, pela serra de asseguá.

A coluna de Gomercindo Saraiva, composta de um efetivo de cerca de 6.000 homens, depois de vários combates tomavam a direção de Lagoa Vermelha. Nesta vila, havia sido organizado, às presas, um corpo provisório, sob a orientação do independente coronel Heleodoro de Morais Branco. Na localidade, o valente capitão Antônio Chachá Pereira já contava com um pequeno, contingente do exército, compreendendo apenas 300 homens de infantaria. Num verdadeiro lance de heroísmo e audácia, logo que teve conhecimento da aproximação de Gomercindo Saraiva, o valoroso capitão Chachá, com seu pequeno grupo , decide interceptar a marcha das tropas inimigas, em defesa da vila. Nas proximidades da serra do Mato português, estoura a célebre encontro entre 300 homens de infantaria e 6.000 homens de cavalaria. Gomercindo Saraiva, em face de tão grande superioridade numérica, consegue, finalmente ocupar a vila. Mas, só o fez, depois de haver enfrentado uma das mais sérias resistências de sua jornada, contra uma reduzida coluna de homens denodados, que não consegui eliminar.

Não demoraria muito, Lagoa Vermelha voltaria a viver dias de heroísmo, de sangue e de bravura indômita. Em 1º de novembro daquele mesmo ano a vila foi totalmente envolvida pelas forças federalistas, comandada pelos coronéis Córdova Passos, Manduca Gregório, José Chicuta e outros.

A população toda se mobilizou, com os recursos de que dispunha, para resistir a todo custo. O adversário contava com mais de 900 homens, e os defensores da vila somavam poucos mais de 200. Deu-se o ataque encarniçado, entremeado de lances de emocionante bravura, da parte da população cercada. Os locais, sob o comando do coronel Heleodoro de Morais Branco e sob a assistência do Dr. Manoel André da Rocha, juiz de comarca, resistiram denodadamente à tremenda carga adversa, que se prolongou até o raiar do dia 4 de novembro, quando as forças republicanas provenientes de Vacaria, acudiam para a defesa da vila.

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Durante o ano de 1923, quando das acirradas lutas políticas determinadas pelas sucessivas reeleições do Dr. Antônio Augusto Borges de Medeiros, Lagoa volta a ser palco de acontecimentos memoráveis. Uma coluna revolucionária, sob o comando do general Felipe Nery Portinho, a 5 de março de 1923, vinha ocupar a vila Paim Filho, então 8º distrito de Lagoa Vermelha. Logo que chegou a sede municipal a noticia da ocorrência, a população, num movimento incontrolado de pânico , sob a impressão de que as força revolucionárias para aí se dirigiam, procurou fugir para localidade fora da área de perigo imediato. Somente permaneceu na vila, despreocupados aqueles de que eram partidários da facção “libertadora”. Entretanto, o general Portinho tomara caminho diverso. A notícia alarmante havia sido falsa. O governo do Estado, diante dos graves acontecimentos, ordenou a mobilização das forças provisórias nos municípios de Vacaria e Lagoa Vermelha. A 13 de setembro, nas proximidades de Erebango, tratava-se violento encontro entre o 1º corpo da Brigada do Norte, proveniente de Passo Fundo, e as forças do General Portinho. Após esse combate, a coluna revolucionária toma rumos desconhecidos e sugere, ameaçadoramente, contra Lagoa Vermelha, no dia 20 de setembro. A vila, que se encontrava sem a proteção de sua Brigada de quase 3.000 combatentes, foi irremediavelmente ocupada. No dia imediato, no entanto, os revolucionários, depois de efetuarem várias depredações, abandonaram a vila e prosseguiram em direção a Vacaria…

Situado na região Serrana e percorrido pela coxilha grande, o município de Lagoa Vermelha compreende um território caracteristicamente ondulado, onde predominam os campos de criação, ao lado de bem desenvolvida cultura agrícola.

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Uma lagoa existente nas proximidades da sede municipal, cuja composição de argila da uma coloração avermelhada as suas águas, foi a origem do toponímico que traz o município.

Bibliografia:
“Torrão Amado” Demétrio Dias de Morais.
“O Rio Grande do Sul” Alfredo R. da Costa.