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Empoderamento Feminino: elas ainda querem um marido rico – Edição de Dezembro de 2018

A socióloga inglesa Catherine Hakim diz que não há igualdade entre os sexos e incentiva as mulheres a usar todos os seus atributos para ascender na carreira.
Considera também que a maioria das mulheres não almeja a independência financeira e que a utopia feminina moderna é ser uma dona de casa à toa.

Pesquisadora da London School of Economics por duas décadas e uma das mais respeitadas estudiosas da inserção feminina no mercado de trabalho, a socióloga inglesa Catherine Hakim, tornou-se uma das principais expoentes do novo feminismo europeu – uma espécie de feminismo às avessas. As ideias defendidas por ela e por suas colegas – a maioria intelectuais francesas e alemãs – chocam por sua simplicidade e incorreção política.Igualdade entre os sexos? Bobagem. Marido? De preferência rico. Barriga de aluguel? Um fluxo inexplorado.

Autora de dezesseis livros, com uma respeitável carreira no governo inglês no currículo (atuou como pesquisadora e foi consultora de vários ministros), Hakim compilou suas teses excêntricas no recém lançado Capital Erótico (336 páginas). O tema central do livro é a importância da beleza na ascensão profissional das mulheres.
O feminismo radical justifica a autora, deprecia o encanto feminino. Por que não encorajar as mulheres a aproveitar-se dos homens sempre que puderem?
Aristóteles, filósofo grego, já dizia que a beleza é melhor do que qualquer carta de apresentação.
As vantagens de uma boa aparência podem ser percebidas desde a infância. Pesquisas revelam que 75% das crianças que se encaixam nos padrões de beleza aceitos universalmente, como um rosto simétrico, são julgadas como corretas e cativantes, enquanto só 25% das que não tem essas características são vistas dessa forma.
Presume-se que os belos são mais competentes – e eles são tratados como tal.
A autora considera que atratividade e beleza são fundamentais para a ascensão profissional das mulheres nas sociedades modernas.
Inteligência e beleza são duas habilidades necessárias para o sucesso, diz ela, e muito semelhantes entre si: metade é hereditária, metade é resultado de tempo e esforço. Não existe diferença moral entre a aparência e a inteligência, diz ela.
A autora acha justo que os mais belos ganhem mais. E complementa dizendo que é frequente presumir que quaisquer benefícios concedidos a pessoas atraentes são desmerecidos e injustos. Alerta que quando se fala em sucesso, ninguém duvida do mérito dos inteligentes, nem questiona a exclusão dos ignorantes.
Então pergunta: Por que não recompensar também quem se destaca pela aparência, sendo ela natural ou conquistada?
Considera que beleza extrema é algo raro, um item de luxo, e que quem não tirou a sorte grande deve aprimorar o seu poder de atração.
Na França, é comum o conceito de Belle Laide, a mulher feia que se torna atraente graças à forma como se apresenta à sociedade e constrói seu estilo.
Christine Lagarde, a diretora do FMI (Fundo Monetário Internacional), é um exemplo de mulher que não ostenta a beleza clássica, mas é extremamente atraente. Tem personalidade, carisma, charme e boas maneiras.
A autora de Capital Erótico diz: se você não é bonito, por favor, vá à luta. Cultive um belo corpo, aprenda a dançar, desenvolva habilidades. E distribua sorrisos, porque o mundo sorri de volta para quem sabe sorrir. O sorriso é um sinal universal de acolhimento, aceitação e contentamento em relação aos demais. Torna a todos mais atraentes.
De maneira geral, as intelectuais francesas e alemãs, reconhecem e valorizam o capital erótico das mulheres. As anglo-saxãs repudiam esse conceito, rejeitando tudo o que está relacionado ao sexo e ao prazer e têm aversão à beleza.
O feminismo é uma ideologia abrangente, contém muitos elementos adversos. Há escritoras radicais que adotam o feminismo-vítima, no qual as mulheres sempre saem perdendo. Outras, como Camille Paglia, insistem que o feminismo impõe responsabilidades às mulheres, de forma que elas não podem culpar os homens todas as vezes em que algo der errado em sua vida pessoal ou em sua carreira.
O mito feminista da igualdade dos sexos é tão infundado quanto a afirmação de que todas as mulheres almejam a total simetria nos papéis familiares, emprego e salário.
As feministas insistem que a independência financeira é necessária para a igualdade em casa. Argumentam ainda que a maior parte das mulheres é carreirista, como os homens, e detesta ficar em casa para criar os filhos. Diversos estudos indicam o contrário. A maioria das mulheres prefere ficar em casa em tempo integral quando as crianças são pequenas, pelo menos até elas começarem a frequentar a escola. Um parceiro bem-sucedido torna essa opção mais viável.
Tornar-se uma dona de casa ‘à toa”, em tempo integral, é uma utopia moderna para a maioria das mulheres. Em estudos realizados em todo o mundo, quando questionadas sobre as características mais valorizadas em um parceiro, as mulheres afirmam preferir homens com recursos, condição que viabiliza a permanência delas no lar.
Dizer que a mulher é pouco feminina ou não verdadeiramente realizada se ela não tem filhos é difundir um mito patriarcal. Os homens sem filhos raramente são criticados desse modo. Não há nada de errado com a mulher que não quer ser mãe. É cada vez maior o número de europeias que abdicam da maternidade, principalmente na Alemanha e na Inglaterra.
A autora entende que se os homens pudessem produzir bebês, essa seria uma das maiores ocupações pagas do mundo. As leis, alega, foram inventadas pelos homens para o interesse deles próprios, e não incluem os interesses femininos. Muitas vezes, a legislação impede que as mulheres recebam integralmente os lucros de seus talentos, com valor comercial adequado. A barriga de aluguel, por exemplo, é um fluxo de receita inexplorado e do qual as mulheres poderiam beneficiar-se.
Também acredita que desejo sexual é uma questão de gênero. As mulheres têm um nível mais baixo de desejo sexual, de forma que os homens passam a maior parte da vida sexualmente frustrados em vários graus. Existe um sistemático – e, ao que parece universal – déficit sexual masculino. Os homens geralmente querem muito mais sexo do que conseguem em todas as idades. Assim, a capacidade de atração sexual feminina perante os hormônios deles pode ser uma ferramenta valiosa de que as mulheres se beneficiem.
Os homens sempre exploraram as mulheres, razão pela qual o feminismo foi necessário. Nós, mulheres, deveríamos explorar qualquer vantagem que temos sobre os homens, sempre que possível, conclui a ousada autora.
Ela acredita ser uma feminista convicta que sempre buscou o melhor para as mulheres. Alega que dedicou mais de duas décadas de sua carreira a responder a uma questão: Por que as mulheres raramente são as heroínas?
Entende estar oferecendo uma nova perspectiva feminista, sem hipocrisia, alegando que muitos dos escritos feministas modernos conspiram a favor das perspectivas chauvinistas masculinas ao perpetuar o desprezo pela beleza e pelo sex appeal das mulheres.
Crê que o feminismo radical deprecia o encanto feminino e questiona: Por que não estimular a feminilidade em vez de abolí-la?
A autora é corajosa e choca um universo politicamente correto arduamente construído. Mas no individualismo excessivo da pós-modernidade, é sincera em afirmar que cada um deve usar as armas que possui na busca do que deseja, invariavelmente, sucesso e felicidade na carreira e na vida afetiva. Para dizer o mínimo, sua obra faz repensar uma série de conceitos acabados e polidos. E de uma forma bastante instigante e com crueza incomum.


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