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Aprender a ler – Edição de Outubro de 2018

Quando lemos algo, pensamos ser um ato quase automático. Mas o nosso cérebro não acha, ele faz uma verdadeira ginástica para se adaptar ao ato de ler. Nesse momento, uma revolução de sinapses está acontecendo a cada fração de segundo, para que possamos decifrar as palavras impressas.
A escrita é algo recente na escala da evolução humana (tem cerca de 5 mil anos). Se recordarmos do nosso processo de alfabetização, vamos lembrar que não se trata de algo tão fácil. Por isso todas as crianças, seja qual for a língua, encontram dificuldades para aprender a ler, e 10% das pessoas quando adultas, ainda não dominam bem a compreensão do texto, afirma o neurocientista Stanisla Dehaene.
As pesquisas dentro da psicologia cognitiva já mapeavam as áreas envolvidas no reconhecimento da palavra escrita no cérebro. Tal descoberta, questiona a metodologia empregada nas escolas que, em sua maioria, fazem o aluno soletrar e, assim não consegue prestar atenção no significado. Segundo ele, o cérebro aprende melhor pelo som do que pelo linguajar. Enfim, o ensino deveria centrar nos fonemas e não em figuras. Ler, portanto, é o principal movimento que nosso cérebro realiza ao longo da vida. Outra mudança importante é o aprendizado da matemática. A neurociência e seus avanços certamente nos beneficiaram cada vez mais com métodos mais eficazes. Quem leciona a primeira série reconhece essas dificuldades nesse aprendizado complexo. Conforme Stanisla, em vez de focar os esforços no ensino das unidades iguais, é preciso mudar para sons e fonemas. É necessário ajudar a criança a identificar os diferentes sons que compõem uma palavra para, só depois, fazê-la compreender que as letras representam esses sons. Depois disso, a criança estará pronta para juntar as letras.
O sono é essencial para consolidar a aprendizagem. É o que o cérebro faz durante a noite. Pais que reclamam da dificuldade de aprendizado ou distúrbio de atenção devem, num primeiro momento, entender que a noite é para dormir e não para ficar no computador ou na televisão.
Todos os professores e todos os pais devem lembrar sempre que, nessa hora de aprender a ler, é necessário muita calma e a criação de uma atmosfera de aceitação, cuidado e encorajamento. Fonte: Revista NeuroEducação


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