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Ansiedade: normal ou patológica – Edição de Junho de 2017

Ansiedade é um sentimento vago e desagradável de medo, apreensão, caracterizado por tensão ou desconforto derivado de antecipação de perigo, de algo desconhecido ou estranho. (CASTILLO et al., 2000, p. 20-23, 2000) Ou, então, “A ansiedade é um processo físico e mental ativado em situações de medo, receio, diante do desconhecido e em momentos de tensão emocional.” (TELES, 2015)Ansiedade é um sentimento vago e desagradável de medo, apreensão, caracterizado por tensão ou desconforto derivado de antecipação de perigo, de algo desconhecido ou estranho. (CASTILLO et al., 2000, p. 20-23, 2000) Ou, então, “A ansiedade é um processo físico e mental ativado em situações de medo, receio, diante do desconhecido e em momentos de tensão emocional.” (TELES, 2015) Ansiedade normal é um sentimento de receio, aflição, com alterações físicas como taquicardia, sudorese, dilatação de pupila, tremores etc. cujos sintomas são autolimitados. Todo mundo se sente ansioso em situações como o dia do casamento, tentativa de assalto, montanha russa, entrevista de emprego, apresentação importante etc. A ansiedade normal ajuda o ser humano, cria um ambiente cognitivo de apreensão salutar e de tomada rápida de decisões. Ansiedade patológica é aquela que passa a ser direcionada a situações comuns cotidianas, ou quando é uma resposta absolutamente desproporcional ao risco, ou mesmo quando é mantida cronicamente. É doença quando surge impacto na qualidade de vida do pessoa, pois limita a percepção e dificulta a tomada de decisões, evoluindo com restrição social e impactando negativamente diversos aspectos da vida da pessoa.

 

O desenvolvimento emocional influi sobre as causas e sobre a maneira como os medos e as preocupações, tanto normais quanto patológicos, se manifestam em crianças, especialmente nas menores. As crianças podem não reconhecer seus medos como exagerados ou irracionais. A maneira prática de se diferenciar ansiedade normal de ansiedade patológica é, basicamente, avaliar se a reação ansiosa é de curta duração, autolimitada e relacionada ao estímulo do momento ou não.O desenvolvimento emocional influi sobre as causas e sobre a maneira como os medos e as preocupações, tanto normais quanto patológicos, se manifestam em crianças, especialmente nas menores. As crianças podem não reconhecer seus medos como exagerados ou irracionais. A maneira prática de se diferenciar ansiedade normal de ansiedade patológica é, basicamente, avaliar se a reação ansiosa é de curta duração, autolimitada e relacionada ao estímulo do momento ou não. Os transtornos ansiosos são quadros clínicos em que esses sintomas são primários. Eles não derivam de outras condições psiquiátricas tais como depressões, psicoses, transtornos do desenvolvimento, transtorno hipercinético etc. Há casos em que vários transtornos estão presentes, ao mesmo tempo, e não se consegue identificar o que é primário e o que não é. (POLLACK et al., 1996 apud CASTILLO et al., 2000, p. 20-23, 2000) A causa dos transtornos ansiosos infantis é desconhecida e multifatorial, incluindo fatores hereditários e ambientais diversos, tornando-se os mesmos crônicos, se não forem tratados. Na avaliação e no planejamento terapêutico desses transtornos, é fundamental obter uma história detalhada sobre o início dos sintomas, possíveis fatores desencadeantes (crise conjugal, perda por morte ou separação, doença na família e nascimento de irmãos) e o desenvolvimento da criança.  No caso de crianças, leva-se em conta o seu temperamento, o tipo de apego que ela tem com seus pais e o estilo de cuidados paternos destes, além dos fatores implicados na etiologia dessas patologias e da presença de comorbidade. O tratamento é constituído por uma abordagem multimodal, que inclui orientação aos pais e à criança, psicoterapia dinâmica, uso de psicofármacos e de intervenções familiares. O transtorno ansiedade de separação é caracterizado por ansiedade excessiva relacionada ao afastamento dos pais ou seus substitutos, não adequada ao nível de desenvolvimento e que persiste por mais de quatro semanas, causando sofrimento intenso e prejuízos em áreas da vida da criança ou adolescente: é o temor que algo possa acontecer a si mesmo ou aos seus cuidadores como acidentes, sequestro, assaltos ou doenças, que os afastem definitivamente. As crianças têm apego excessivo a seus cuidadores, não permitindo o afastamento destes ou telefonando-lhes repetidamente, a fim de tranquilizar-se a respeito de suas fantasias. Para dormir, necessitam de companhia e resistem ao sono, que vivenciam como separação ou perda de controle; há pesadelos sobre seus temores de separação. Há, ainda, recusa escolar secundária: ela deseja frequentar à escola, demonstra boa adaptação prévia, mas apresenta intenso sofrimento quando necessita afastar-se de casa. Estudos retrospectivos sugerem que a presença de ansiedade de separação na infância é um fator de risco para o desenvolvimento de diversos transtornos de ansiedade, entre eles, o transtorno de pânico e de humor na vida adulta. O transtorno de ansiedade generalizada (TAG) inclui medo excessivo, preocupações ou sentimentos de pânico exagerados e irracionais a respeito de várias situações. As crianças estão constantemente tensas; qualquer situação é ou pode ser provocadora de ansiedade. Preocupam-se com o julgamento de terceiros em relação a seu desempenho e necessitam que lhes renovem a confiança sempre, que as tranquilizem; apresentam dificuldade para relaxar, queixas somáticas sem causa aparente e sinais de hiperatividade autonômica (palidez, sudorese, taquipneia, tensão muscular e vigilância aumentada); é difícil acalmá-las e ter atividades rotineiras ou de lazer com elas.  O transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) é reconhecimento crescente de que experiências traumáticas podem ter um impacto grave e duradouro sobre as mesmas. O TEPT tem sido evidenciado como um fator de risco para o desenvolvimento posterior de patologias psiquiátricas (CASTILLO, 2000, p. 20-23). O diagnóstico do TEPT é feito quando, em consequência à exposição a um acontecimento que ameace a integridade ou a vida da criança, são observadas alterações importantes no seu comportamento, como inibição excessiva ou desinibição, agitação e reatividade emocional aumentada. Pelos critérios diagnósticos do DSM-IV, tais sintomas devem durar mais de um mês e levar a comprometimento das atividades da criança. (APA, 1994) O paciente evita falar sobre o que aconteceu, pois isso lhe é muito doloroso. Em crianças menores, os temas relacionados ao trauma são expressos em brincadeiras repetitivas. (OMS, 1992) O tratamento mostra a eficácia da psicoterapia em crianças e adolescentes. Em crianças mais jovens, a terapia deve utilizar objetos intermediários como brinquedos ou desenho para facilitar a comunicação. O terapeuta deve auxiliar a criança ou adolescente a enfrentar o objeto temido.

 

Reconhece-se, hoje, que medos e preocupações durante a infância podem constituir transtornos frequentes, causando sofrimento e disfunção à criança ou ao adolescente. A identificação precoce dos transtornos de ansiedade pode evitar repercussões negativas na vida da criança, tais como problemas escolares, consultas demasiadas ao pediatra por queixas somáticas associadas à ansiedade e, possivelmente, a ocorrência de problemas psiquiátricos na vida adulta.

Referências:

AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION (APA). DSM IV ¾. Diagnostic and Statistical Manual for Mental Disorders, 4thversion. Washington (DC): American Psychiatric Press, 1994.
CASTILLO, Ana Regina GL et al. Transtornos de ansiedade. Revista Brasileira de Psiquiatria, São Paulo, v. 22, supl. 2, p. 20-23, dez. 2000. Disponível em: <http://www.scielo.br>. Acesso em: 17 jun. 2017.
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS). CID-10 ¾. Classificação Internacional de Doenças, décima versão. Genebra: Organização Mundial da Saúde, 1992.
TELES, Leandro. Transtornos de Ansiedade. 04 set. 2015. Disponível em: <http://www.saudementalrs.com.br/ansiedade/>. Acesso em: 16 jun. 2017.


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